Curitiba - Foi uma noitada de gala para o Teatro Guaíra a vivida anteontem pelas mais de 2 mil pessoas que foram assistir a passagem de B.B.King, o rei do blues pela cidade. Público distinto. Tinha gente de todo tipo. Gente velha, gente nova, gente rica, autoridades, puxa-sacos, bem-vestidos, os que foram de jeans, ou totalmente de preto. Cabeludos, botas de cowboy, copos de plástico com uísque dentro.
  Problemão enfrentaram os seguranças do Guaíra. Como o show de B.B. King só iria começar lá pelas 22 horas um bando de gente deixou para chegar mais tarde, ignorando o horário marcado nos ingressos, que era 21 horas. Durante a apresentação de abertura feita pela banda curitibana The Soulution, o povo ia chegando e brigando pelos lugares que já haviam sido ocupados. Discussões quentes e até uma chamada em alto e bom tom por parte do vocalista do Soulution.
  Zé Rodrigo se alterou um pouco a mais da conta. Pediu que o cavalheiro que dançava em frente à primeira fila, por ter perdido o lugar para quem chegou antes dele, fosse retirado pelos seguranças e ‘‘sentado’’ em algum lugar. ‘‘Curitiba é Europa. Aqui se chega fora do horário perde a vez’’, desabafou repetidamente à platéia.
  Bem vamos ao som: a primeira parte da noite com a Soulution tocando foi como uma música de elevador para quem foi lá ver o B.B.King. Não que os caras não saibam tocar. Eles sabem e bem. Mas suas músicas são todas releituras de grandes standars e não chegaram a empolgar o público. No final da apresentação subiram ao palco dois integrantes do Mrs Jack, uma banda de blues curitibana. Mas nada. O povo queria B.B. King. E os músicos curitibanos sabiam disso.
  Por volta das 22 horas a banda do rei entrou no palco. Imediatamente um imenso espaço auditivo foi preenchido. Era como se aqueles instrumentos (baixo, bateria, guitarras e sopros) tivessem um poder de inflar o espaço que comandava as emoções lá. Uma coisa meio mágica. Memorável.
  Sem saber quando B.B. iria entrar no palco (ele age por instinto. Em algumas vezes entra na segunda música, em outras na terceira), a platéia já curtia. Aí ele entrou. Foi uma explosão de aplausos. O rei retribuiu com sacolejos engraçados em um corpo físico grande e aparentemente cansado. Afinal já são 78 anos de estrada.
  Nos primeiros instantes um pouco de música e muitas interrupções para brincar com seus músicos e platéia. Quebrado o gelo. O homem estava pronto. Colocaram três cadeiras em volta dele. Seus músicos de sopro caíram fora. Só cordas, piano e bateria.
  B.B. começou a cantar canções singelas de amor. Com emoção foi conduzindo a platéia por um túnel até as margens do Mississipi, lugar onde nasceram ele e o blues. E nesse túnel imaginário o rei tocou por quase duas horas, inesquecíveis, emocionantes e, infelizmente, finitos sons.

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