Na última quinta-feira, o Brasil perdeu um dos seus maiores compositores brasileiros de samba. Guilherme de Brito, 84 anos, morreu de infarto, vítima de pneumonia.
  Quase toda a sua obra foi criada em parceria com Nelson Cavaquinho (1911-1986). Com ele fez sambas que se tornaram clássicos, como
‘‘Folhas Secas’’ e ‘‘A Flor e o Espinho’’ – de onde saiu seu par de versos mais famoso, reconhecido como um dos mais bonitos da música nacional: ‘‘Tire o seu sorriso do caminho/ Que eu quero passar com a minha dor’’.
  Embora não freqüentasse a Mangueira, fez para a escola, com Nelson, sambas que ficaram famosos, como ‘‘Pranto de Poetas’’ e ‘‘Folhas Secas’’ (‘‘Quando eu piso em folhas secas/ caídas de uma mangueira/ penso na minha escola/ e nos poetas da minha Estação Primeira’’).
  Nas palavras de Beth Carvalho, Guilherme de Brito foi ‘‘um grande poeta, cantor, pintor e teve com Nelson Cavaquinho um ‘casamento’ perfeito’’.

Reza a lenda que a música ‘‘Folhas Secas’’ foi originalmente destinada pelos compositores à cantora Beth Carvalho. Mas foi Elis Regina a primeira a gravá-la, em meados da década de 70, depois que a fita contendo o samba canção lhe caiu às mãos através de César Camargo Mariano, então seu marido. A ‘Pimentinha’, como Elis era conhecida, não teria tido dúvida: gravou sem dar explicações a ninguém e a música tornou-se um clássico na sua voz.

O samba surgiu como um gênero musical no ínicio do século 20 na cidade do Rio de Janeiro (então capital brasileira) e se desenvolveu sob grande influência de migrantes negros vindos do estado da Bahia. Muitos pesquisadores apontam para os ritmos do maxixe, do lundu e da modinha como fontes que, quando sintetizadas, deram origem a esse ritmo. O samba ‘‘Pelo telefone’’, de Donga e Mauro Almeida, é considerado como o primeiro do gênero gravado. O seu grande sucesso levou o samba para além dos morros. A autoria da música é incerta, mas provavelmente foi trabalho de um grupo de vivia em torno de Tia Ciata, dentre eles Pixinguinha e João da Baiana.


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