Lá fora, a música pop latina escala paradas e engorda a conta bancária dos artistas. Aqui, exceções à parte, quem canta em espanhol fica obrigado a emplacar uma música em trilha de novela da Globo para ter vez nas FMs e, muitas vezes, nem assim consegue cair nas graças do povo.
O londrinense André Lopes quer furar o bloqueio com uma tática engenhosa: convidar um cantor brasileiro para participar do próximo disco da banda Bacilos, que fundou em Miami (EUA) ao lado do colombiano Jorge Villamizar (violão e voz principal) e do porto-riquenho José Javier Freire (bateria, percussão e voz).
''A idéia é gravar um dueto com o Lenine'' revelou ontem, durante entrevista coletiva no Hotel Brystol, em Londrina. ''Somos fãs dele. Já estamos conversando com o produtor Tom Capone, que vai fazer os contatos. Mas não queremos nos precipitar. Pretendemos planejar tudo com calma e não simplesmente jogar uma música ou um disco para conquistar o mercado''.
André ficará na cidade até o dia 31. Veio visitar a família, que não via há um ano e meio. É a primeira viagem ao Brasil desde que sua banda conquistou o Grammy Awards como Melhor Álbum Pop Latino em fevereiro desse ano, em Nova York, com o CD ''Caraluna''. O disco continua rendendo prestígio ao grupo. Na última terça-feira, recebeu seis indicações para o Grammy Latino, cuja festa de premiação está programada para o dia 3 de setembro, em Miami (EUA).
''Como tínhamos nove pré-indicações, esperávamos no máximo duas indicações. Estamos impressionados'' afirmou. A banda foi contemplada nas categorias Gravação do Ano, Álbum do Ano, Canção Tropical (''Mi Primer Millión'') e Canção do Ano (com duas músicas: ''Caraluna'' e ''Mi Primer Millión''). Foi agraciada ainda com as indicações dos produtores Sergio George e Luís Ochoa, que trabalharam com os Bacilos em três faixas do último CD.
''Caraluna'' é o segundo álbum da banda. O primeiro, ''Bacilos'', já havia recebido uma indicação ao Grammy Latino em 2001. Lançado originalmente de forma independente com o título ''Madera'', chamou a atenção dos executivos da Warner Latina, que logo contratou os três músicos e reeditou o disco de estréia rebatizando-o com o nome da banda. Em seguida, vieram turnês pelos Estados Unidos, América Latina e Europa.
Misturando melodias de canção andina, ritmo caribenho e percussão afro-brasileira, o grupo esteve em Londrina antes de estourar. Por volta de 1999, chegou a tocar nos bares Valentino e Água Viva (hoje Farol). Atualmente, anda com a agenda lotada de shows apresentando-se em países da América Latina. Nas duas primeiras semanas de agosto estarão em Orlando (na Flórida, EUA) e cidades da Bolívia, Peru, Colômbia e Chile.
Nenhum show está previsto para o Brasil. ''Nossos discos ainda não foram lançados por aqui'' explica ele. ''A exemplo de Cuba, o país tem um legado musical muito forte, que torna difícil aceitar artistas que cantem em outros idiomas latinos. Muitas pessoas acham que tudo é salsa e merengue. Às vezes tenho a impressão que o público brasileiro ouve mais música em italiano do que em espanhol''.
Ele explica que o trabalho dos Bacilos parte, basicamente, de fusões rítmicas. ''É a consequência da união de um brasileiro, um colombiano e um porto-riquenho'' diz. ''E além do mais, moramos em Miami, que é uma cidade que recebe influências de todos os lados. Nossas composições nascem, em sua maioria, de melodias trazidas pelo vocalista (Jorge Villamizar), que canta com harmonia colombiana. A gente acompanha e trabalha junto as idéias e os arranjos''.
Empolgado com as indicações para o Grammy Latino, André Lopes guarda expectativas para a noite de entrega dos prêmios. Não apenas pelo fato de estar com chances para abocanhar o troféu, mas também pela oportunidade de encontrar artistas brasileiros. ''Estou com muito vontade de entrar em contato com o meio artístico daqui'' conta. ''No Grammy, conheci o Alexandre Pires e outro dia joguei sinuca com o Toquinho. Tenho muitas composições em português que não estão sendo aproveitadas pela banda. Estou ansioso para mostrá-las''.

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