MÚSICA - Um artista em ascensão
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba O músico e ator curitibano Fabiano Medeiros viu sua carreira deslanchar quando foi escolhido pelo mineiro Milton Nascimento para integrar o show Tambores de Minas, que deu origem ao CD homônimo, em meados da década de 90. De lá para cá, muita coisa mudou para o artista. Ele saiu da capital paranaense para buscar novos desafios no Rio de Janeiro, onde continua radicado. Lá continuou participando como ator das peças de repertório da companhia londrinense Armazém, também baseada no Rio, até decidir apostar apenas na carreira musical. Acompanhado de um trio inusitado, composto por baixo (Paulo Brandão), percussão (Murilo O'Reilly) e acordeon (Daniel Belquer), o vocalista está planejando gravar seu segundo CD e busca espaço para se apresentar no Paraná.
Fabiano começou a carreira cantando em bandas de garagem, em Guarapuava, onde passou a adolescência. De volta a Curitiba, conheceu os músicos Grace Torres e Ulisses Galeto e foi convidado a formar o grupo Fato, com quem gravou dois CDs. ''Fui o primeiro vocalista do Fato. O grupo era minha referência. Quando fui para o Rio acompanhar o Milton (Nascimento) não quis mais voltar porque o Fato já estava estabelecido com outros músicos'', conta. Foi quando o artista decidiu investir na carreira longe de casa, ainda se dividindo entre o teatro e a música.
Participou dos espetáculos ''A Vida é Sonho'', dirigida pelo veterano Gabriel Vilela e das montagens ''Alice Através do Espelho''; ''Da Arte de Subir em Telhados''; ''Pessoas Invisíveis'' e ''Casca de Noz'', da Armazém Companhia de Teatro, todas dirigidas por Paulo de Moraes. ''Mas chegou uma hora em que eu tive que decidir entre a música e o teatro. Não estou dando adeus para as artes cênicas, mas não posso mais me comprometer em uma temporada teatral porque as coisa na música estão acontecendo'', revela.
Desde que dediciu investir apenas na carreira musical, Fabiano tem participado de projetos relevantes no eixo Rio-São Paulo. No final do ano passado fez temporadas no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Rio, e participou do Projeto Segundas Intenções e Nova Safra da MPB, ambos com temporadas em São Paulo. Em janeiro voltou a encontrar Milton Nascimento no projeto Novo Canto, do Sesc Tijuca, onde um nome consagrado da música brasileira escolhe um músico para ''apadrinhar''.
''O Milton foi bastante receptivo. Não nos encontrávamos desde o 'Tambores de Minas' e acabamos fazendo um show maior do que o previsto'', conta Fabiano. Ele ressalta a importância de ser reconhecido por um artista como o músico carioca, criado em Minas Gerais: ''Depois dos shows com o Milton, muitos convites foram surgindo, dando oportunidade para mostrarmos nosso trabalho'', argumenta.
Com o trio de instrumentistas, Fabiano destila um repertório eclético, com músicas do próprio Milton Nascimento, além de pérolas da MPB, como ''Melodia Sentimental'' (Heitor Villa-Lobos e Dora Vasconcelos); ''Construção'', de Chico Buarque e músicas de paranaenses, como ''No Caminho para Santiago'' (Carlos Careqa) e ''Tempo Contratempo Tempo'' de Marcelo Sandmann. É esse repertório que Fabiano pretende gravar em CD, ainda sem gravadora definida, em breve. Antes, porém, deve fazer o show passear pelo Paraná, de volta às suas origens. ''Quero ter oportunidade de falar para as pessoas: esse sou eu, espero que gostem.''


