A capa, com o desenho de um prisma em fundo preto, tornou-se uma das imagens mais reconhecíveis da iconografia pop. Qualquer um que ouve rock, desde que tenha cabeça arejada para apreciar de tudo e não somente um estilo ou apenas ''as novas bandas de Nova York'', já escutou ou vai escutar um dia o álbum ''The Dark Side of the Moon'', do Pink Floyd.
É um clássico do gênero, uma das experiências musicais mais bem executadas na fronteira entre o psicodelismo, o progressivo e o melodismo pop. Em março passado, o disco festejou trinta anos de seu lançamento. Tanto tempo depois, continua na ponta das estatísticas como um dos cinco títulos mais vendidos de todos os tempos.
Na esteira da comemoração, chega ao mercado brasileiro o DVD do álbum, encabeçando o novo pacote de lançamentos do selo ST2 Video que inclui ainda títulos de Atomic kitten, Joni Mitchell, Anne Murray e a ópera Aída (história de amor em quatro atos, de Giuseppe Verdi, com libreto de Camille Du Locle).
Mais para o formato de documentário do que para o mero registro de show, ''The Dark Side of the Moon'' recapitula toda a história da produção reunindo depoimentos de Roger Waters (vocal e baixo), David Gilmour (guitarra), Rick Wright (teclados), Nick Mason (bateria) e do então engenheiro de som Alan Parsons.
Este, que foi o responsável pelo aparato de efeitos numa época em que não havia o arsenal digital disponível hoje , mostra os originais da gravação fornecendo uma perspectiva rara sobre a trama musical do disco. O processo de gestação do trabalho durou oito meses. As sessões foram realizadas no estúdio Abbey Road, em Londres, e contou com participações adicionais do saxofonista Dick Parry e da cantora Clare Torry.
O disco anterior, ''Meddle'', havia encerrado o ciclo mais experimental do grupo. ''The Dark Side of the Moon'' marcava a transição para a fase mais acessível que levaria o quarteto ao topo das paradas. Pela primeira vez, Roger Waters assumiu a liderança plena na banda escrevendo todas as letras a partir de temas que cobrissem aspectos gerais da vida viagem, envelhecimento, ambição, morte, religião, violência e loucura.
Ao longo das faixas, esses temas são abordados ainda por vozes registradas a partir de entrevistas com pessoas comuns, entre elas o porteiro da gravadora EMI, que fala sobre loucura na abertura do álbum. Durante as gravações, algumas músicas foram apenas retocadas, já que vinham de projetos anteriores. ''Breathe'', por exemplo, tinha sido esboçada por Waters para a trilha de um documentário sobre o corpo humano.
Rick Wright aproveitou um tema rejeitado para a trilha sonora do filme ''Zabriskie Point'', de Michelangelo Antonioni, para colaborar com Waters na elaboração do hit ''Us and Them''. Urdido com perícia, o conjunto das faixas obteve entusiasmada recepção crítica, seguido de uma adesão avassaladora do público ao redor do mundo.
Para a irritação dos punks tardios, cujos precursores na década de 70 adoravam exibir camisetas rasgadas com a inscrição ''I Hate (odeio) Pink Floyd'', o disco continua vendendo horrores.

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