MÚSICA - Trincheira alternativa
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sexta-feira, 11 de junho de 2004
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A tradição de gravadoras independentes é vigorosa no Reino Unido. No final dos anos 70, logo após a explosão punk, era comum que lojas de discos se transformassem em selos da noite para o dia. Foi o que ocorreu com a Rough Trade, responsável pela descoberta dos Smiths e dos Strokes.
Primando sempre pelo perfil alternativo, a casa nunca se deixou curvar pelos apelos do mercado. Influenciou meio mundo com seu cast, criando uma espécie de culto à marca nos anos 80, quando abriu trincheiras na cena indie ao lado de gravadoras minúsculas como Creation, Factory, Mute e 4AD.
Na época, manteve-se de pé ancorada especialmente no sucesso dos Smiths. Quando estes saíram para assinar com a gigante Warner, a casa veio a pique. Falido, o proprietário Geoff Travis suou para sanear as finanças até que finalmente conquistou a estabilidade ao lançar o disco de estréia dos Strokes e os últimos álbuns do grupo escocês Belle & Sebastian.
Recuperando o antigo prestígio, a Rough Trade festejou recentemente suas bodas de prata com o lançamento do CD ''25 Stop me if you think you've heard this one before...'', que acaba de chegar ao mercado brasileiro pela Trama. Repleto de bandas ainda desconhecidas no Brasil, o disco soa como uma vitrine para o iniciante se familiarizar com o elenco da gravadora.
Mas vá com cautela ao pote. Não se trata de nenhuma antologia das melhores canções gravadas no estúdio do selo. Travis preferiu escalar artistas e bandas recém-contratadas para executar versões de músicas de bandas antigas do cast. O quarteto inglês Eastern Lane abre a coletânea com uma interpretação punk pop para ''Fa Ce La'', dos Feelies.
É um dos bons momentos do CD ao lado de ''Tugboat'', cover fiel ao original do British Sea Power para a canção velvetiana do Galaxie 500. Mas nem tudo funciona, talvez pelas faixas escolhidas. A versão ''dance'' do Belle & Sebastian para ''Final Day'', dos Young Marble Giants, é uma tentativa de soar engraçadinho mas o resultado é, no mínimo, constrangedor.
E as releituras do Royal City e do The Detroit Cobras para hits dos Strokes (''Is This It'' e ''Last Nite'') são incapazes de animar alguém a preferí-las às gravações originais. O que predomina ao longo das 16 faixas é um certo bucolismo, com um pé no folk e outro no pop introspectivo. Aqui, as guitarras apitam pouco. O disco traz participações ainda dos Delays, Oneida, The Veils, Adam Green, Mystic Chords of Memory, Elizabeth Fraser, The Hidden Cameras, The Tyde, Alasdar Robert, Jeffrey Lewis e The Fiery Furnaces.


