MÚSICA - Talento em três gerações
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de novembro de 2007
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Como uma jóia rara de família que depois de guardada em um sofisticado porta-jóias vem a público, assim é o CD e DVD ''Sérgio & Odair, Badi e Família Assad - Um Songbook Brasileiro'', recentemente lançados pela gravadora Rob Digital.
O material de qualidade musical preciosa reúne três gerações da família Assad, que em 2004 mostrou seu talento quase genético em São Paulo e turnê pela Europa e os Estados Unidos. Sucesso de público e crítica, o evento reuniu Sérgio, Odair, Badi, Carolina e Camille (filhas de Odair), Clarice e Rodrigo (filhos de Sérgio), Dona Angelina e Seu Jorge (os patriarcas da família), e deu origem ao CD e DVD homônimos, gravados em outubro (também de 2004) no Palácio de Belas Artes de Bruxelas.
O repertório de trabalho inclui muitas composições conhecidas da MPB, como ''Casa Forte'' (Edu Lobo) - apresentada por Sérgio, Odair (violões), Badi (voz e percussão), Clarice (piano e voz) e Carolina (voz) - ou ''Rosa'' (Pixinguinha) - cantada por Dona Angelina, Badi, Clarice, Carolina e Rodrigo, com acompanhamento de Sérgio, Odair (violões), e Seu Jorge (bandolim). Destaque também para ''Doce de coco'' (Jacob do Bandolim), interpretada por Sérgio, Odair (violões) e Seu Jorge (bandolim).
Mas há espaço ainda para obras dos Assad. ''Ondas'', por exemplo, foi escrita e interpretada por Clarice (voz e piano). Já ''The being between'' tem composição assinada pelos parceiros Jeff Young e Badi - também responsável pelo violão e percussão na música.
Aliás, a caçula da família, Badi Assad, aos 14 anos - estimulada pelos pais e inspirada pelos irmãos famosos que já brilhavam no ''Dua Assad'', consagrando-se como virtuoses de reconhecimento internacional como violonistas -, começou a estudar violão. Com estilo próprio e incansável em sua pesquisa sonora, Badi mergulhou no universo da percussão vocal e ganhou da crítica norte-americana o apelido de ''one woman band'' (''uma mulher banda'', em inglês). Ainda jovem, gravou discos na Europa e nos Estados Unidos e conquistou uma promissora carreira internacional.
Em 1994 esteve entre os 100 melhores artistas selecionados pela revista Guitar Player. Em 1998 viu seu disco ''Chameleon'' ser considerado pela imprensa alemã o melhor trabalho de world music do ano. E, na edição de aniversário da revista norte-americana Acoustic Guitar, figurou entre os 30 artistas de maior expressão nos últimos anos. Em 2006, Badi esteve em Londrina para show de divulgação do seu oitavo CD ''Wonderland''.
Por e-mail, Badi contou um pouco da experiência de reunir a família para a elaboração desse belo registro fonográfico e visual. Confira abaixo os principais trechos da entrevista concedida à FOLHA2.
O CD e o DVD compõem um registro precioso que mostra o grande talento musical de sua família. Como foi reunir todo mundo dessa forma, era um desejo antigo de vocês?
Esse desejo começou a existir quando vislumbramos contar a história
da vida dos nossos pais. A dedicação deles para que os filhos fossem
músicos é algo inspirador, revelador, instigante, cheio de fé. E assim queríamos compartilhar essa história com mais pessoas, sainda do círculo da família. Esse desejo começou a ficar muito forte há 10 anos e somente agora conseguimos revelar através da música o amor e os talentos que existem na família. Além disso, estou escrevendo um livro e existe um filme/documentário em processo.
Pelo jeito o talento musical é quase que genético na sua família. A qualidade vocal e de composição de suas sobrinhas Clarice e Carolina também chamam a atenção. Você teve alguma influência mais direta no caminho musical delas?
Como sou uma tia daquelas bem corujas, também acho que as duas têm talentos maravilhosos e agradeço por ter tido oportunidade de participar da infância das duas, pois minha mãe ajudou as mães delas a cuidar das filhas. Por conta disso a gente conviveu muito tempo juntas. Acredito que eu não tenha somente as influenciado musicalmente, mas também como pessoas, o que muito me orgulha.
Como está a divulgação do CD ''Wonderland'', que você fez show de lançamento em Londrina no ano passado?
O ''Wonderland'' teve muitas conquistas. Acredito que a maior delas foi ter sido selecionado entre os 30 melhores do ano pelo site amazon.com e digo isso porque ali há artistas de todo o mundo e gente de peso!
Apesar da proibição do seu avô paterno de que houvesse qualquer instrumento musical em casa, como seu pai conseguiu preservar o apreço pela música? E qual a dimensão da influência dele e da sua mãe na sua carreira musical e na dos seus irmãos?
Pois é, o vô Jorge não queria saber desse negócio de música. Ele queria mais era que os filhos o ajudasse com o pequeno armazém que tinha. Meu pai foi descobrir a música, e seu consequente gosto por ela, por volta de seus 25 anos, quando ganhou um cavaquinho em uma rifa. Depois disso, nunca mais parou e foi esta descoberta que o motivou por toda a vida. E, inevitavelmente, ele exerceu influência forte e direta em minha vida. Posso dizer que ele foi o principal responsável por eu ter começado a tocar violão e ele tem sido, desde então, meu maior admirador, incentivador e, diga-se de passagem, crítico construtivo, porque suas críticas vêm do coração e ele tem um gigante.
Infelizmente, o trabalho dos seus irmãos, o Duo Assad, ainda parece ter mais reconhecimento no exterior do que aqui. Isso procede ou tem mudado nos últimos anos?
Procede, mas parte disso se deve ao fato de que eles, mais do que eu, acabam tendo uma agenda internacional que não deixa muito tempo para o Brasil. Eu pelo menos ainda consigo manter, mesmo que pequena, uma agenda por aqui. Digo isso porque estando ausentes fica mais difícil de divulgar o trabalho no Brasil, já que aqui não podemos contar muito com a mídia, porque ela está sempre voltada para a moda do momento e não para algo mais consistente.
Foi difícil escolher o repertório para este trabalho? Os seus pais que decidiram?
Cada um trouxe a idéia do que apresentaria quando fosse o ''spotlight'' do momento e juntos passamos uma ''peneira''. Mas a palavra final foi do Sérgio, quem acabou fazendo praticamente todos os arranjos em grupo do show.
Devo confessar que no CD senti falta de mais participação sua (embora no DVD tenha sido mais atuante). Foi proposital? O objetivo era destacar mais os outros talentos da família Assad?
A produtora, Fa Assad, procurou dar espaço para todo mundo igualmente e como somos muitos acabou colocando uma faixa de cada um, quando éramos solistas principais.
Qual a sensação de ver esse trabalho concluído?
Acho que esse encontro da família é algo raro neste mundo tão conturbado que vivemos. Eu gostaria que pudéssemos servir como fonte inspiradora, onde o amor e respeito são mais importante do que tudo. Em nenhum momento houve briga pelo poder da cena ou algo do tipo. A música acaba sendo a consequência desta afinidade familiar. E por falar em família...acabo de ter minha primeira filha - a Sofia - e de voltar com ela de sua primeira viagem internacional na Austrália.
E há disco novo em andamento?
Agora em novembro gravo meu primeiro DVD (a ser lançado ano que vem) e depois embarco para uma turnê de três meses, incluindo Estados Unidos, Havaí e Grécia. Neste ano de muitos nascimentos também nasceu meu primeiro videoclipe - ''From United States of Piauí'', do Gonzaguinha -, música que está no CD ''Wonderland'' e pode ser visto no seguinte link: http://br.youtube.com/watch?v=TuJbVp-3f30
SERVIÇO:
- CD e DVD ''Sérgio & Odair, Badi e Família Assad - Um Songbook Brasileiro''
Gravadora - Rob Digital
Quanto - R$ 24,00 (CD) e R$ 34 (DVD), em média.
Mais informações - Site www.robdigital.com.br


