Curitiba - Um passeio pela Colégio Estadual do Paraná durante a fase erudita da 23 Oficina de Música de Curitiba, que encerrou ontem, foi também uma aula sobre instrumentos antigos. Pouco ou quase nunca ouvidos normalmente no Brasil, alguns instrumentos são facilmente encontrados durante a Oficina, como o fagote e o oboé por exemplo. Os dois são instrumentos de sopro, utilizados em orquestras desde o século 17. Embora com poucos adeptos no Brasil, os dois instrumentos têm representantes brasileiros que fazem sucesso no exterior, como os professores das duas modalidades que voltaram ao País apenas para ministrar os cursos durante o evento.
O oboísta Washington Barella, de 40 anos, começou a tocar oboé aos 10 anos, motivado por uma bolsa de estudos concedida pela escola de música de Piracicaba (SP), cidade onde nasceu. Na década de 80, a falta de acesso aos instrumentos e à informação no Brasil fez com que o músico saísse do país. Morou nos Estados Unidos e encontrou respaldo na profissão na Alemanha, onde mora há mais de uma década.
Em 1990 foi vencedor do Primeiro Prêmio do ''Concert Artists Guild International New York Competition'' e em 1991 ganhou o Terceiro Prêmio do ''Internationaler Musikwettbewerb der ARD'' em Munique, Alemanha. Desde 1992, atua como o primeiro oboísta solista da Orquestra Sinfônica da Rádio de Baden-Baden, na Alemanha.
O curso que ministrou na fase erudita desta edição da Oficina teve 14 alunos. ''Acho que a procura foi boa, na minha época por exemplo, apenas uns oito alunos estudavam oboé'', conta. Uma das alunas, Raquel Mônica Gonçalves, veio de São Caetano do Sul, em São Paulo, especialmente para estudar com Barella. Sobre o que impulsiona os músicos e aspirantes a escolherem o oboé, Barella opina: ''O instrumento tem a ver com a personalidade de quem o toca, mas eu não acho que a pessoa escolhe o instrumento, acho que acontece o contrário'', brinca.
Foi mais ou menos assim que aconteceu com o músico Ricardo Aurélio de Oliveira, de 25 anos. Integrante da Orquesta Municipal de Campinas, em São Paulo, o músico começou a tocar fagote há 11 anos, ''por curiosidade'' conforme conta. ''Acho que acontece assim com todo mundo, começa por curiosidade e depois a gente acaba gostando.''
O músico revela que uma das dificuldades do instrumento está ligada a confecção da palheta. O pequeno objeto é confeccionado, geralmente pelo próprio músico, com uma fina madeira importada e é o elo de ligação entre o instrumento e quem toca. ''Ás vezes a palheta não está boa e o som não sai como você quer'', ensina Oliveira. Ele concluiu o curso de fagote ministrado por Afonso Venturieri. ''Já o conheço, literalmente, de outros festivais e sempre procuro participar dos cursos que ele ministra'', contou o músico. Natural de Belém do Pará, Venturieri também encontrou reconhecimento fora do País. Atualmente é professor de fagote no Conservatório de Música de Genebra.
A partir de hoje, os instrumentos antigos deixam espaço para os mais conhecidos do público, que começam a invadir a fase popular da oficina. A fase de música popular brasileira acontece até 25 de janeiro e abre espaço para o jazz e a música instrumental brasileira. Os cursos serão ministrados por profissionais conhecidos nacionalmente, entre eles a cantora Mônica Salmaso, a dupla Kleiton e Kledir, o compositor José Mighel Wisnik, e ainda Daniel Sá (guitarra), Beto Lopes (violão), Jorginho do Trompete, Proveta (clarinete) e Endrigo Bettega (bateria). O encerramento da fase de MPB e da 23 Oficina será com o show da Banda Mantiqueira, no Teatro da Reitoria.

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