Com um público total de 385 mil pessoas, terminou no domingo o Rock in Rio Lisboa, o primeiro festival de música que o Brasil exportou. Terminou bem longe de sua meta ambicionada (600 mil espectadores), mas deu lucro para dar prejuízo, segundo Roberta Medina, filha do publicitário Roberto Medina, precisaria ter abaixo dos 300 mil espectadores. E ainda conseguiu a adesão do seu patrocinador principal, o banco Millennium BCP, numa nova edição da mostra em Portugal, a ser realizada no mesmo local em 2006.
O BCP investiu 1,52 milhão de euros no Rock in Rio Lisboa os outros principais investidores foram a Vodafone (4,47 milhões de euros) e a cerveja Sagres (1,7 milhão de euros). Para a cervejaria, foi um negócio da China, já que sua principal concorrente, a Superbock, mantém um festival semelhante há dez anos e a Sagres não tinha nada.
Segundo disse Filipe Pinhal, vice-presidente do Millennium BCP, o principal risco em se investir no festival era que ''não havia em Portugal o hábito de os bancos estarem associados a esse tipo de eventos''. Mas ele disse que houve um bom retorno em publicidade institucional, o que motivou o Millennium a assinar, na sexta-feira, um novo contrato para 2006.
Outros parceiros comerciais que já firmaram compromisso para o novo Rock in Rio foram o canal de TV SIC e a Câmara Municipal de Lisboa. A SIC, que transmitiu ao vivo para Portugal os shows do festival, investiu meio milhão de euros na sua cobertura e estimava ter receitas de 800 mil a 1 milhão de euros ao final da jornada.
A Câmara Municipal de Lisboa foi criticada por sua associação ao evento e pelo investimento feito (1 milhão de euro na infra-estrutura), mas acabou avaliando como positiva a parceria. Um dos motivos foi a visibilidade dada a um espaço turístico quase desconhecido da própria cidade, o Parque da Bela Vista, de 220 mil metros quadrados, que era pouco utilizado.
No sábado, a brasileira Daniela Mercury fez dois duetos com a fadista portuguesa Marisa. Britney Spears, apesar de usar recursos eletrônicos para dublar a si mesma, faz sempre muito sucesso. No domingo, a última noite do festival, com 100 mil espectadores, foi a de maior público - a maior parte, por incrível que pareça, foi ver o cantor inglês Sting, que apresentou o espetáculo ''Sacred Love'', com ''Roxane'' e ''Englishman in New York'' no repertório. Também cantaram a soul sister Alicia Keys, vencedora de cinco prêmios Grammy, Alejandro Sanz, Ivete Sangalo e o português Pedro Abrunhosa.
Uma nova edição do festival em Lisboa, no entanto, deve atentar para alguns problemas. Um dos principais é a escalação das bandas, que se revelou um tanto esquizofrênica. Ótimas bandas de garage rock, por exemplo, como os australianos do Jet e os americanos do Kings of Leon, ficaram espremidos entre artistas de natureza diferente, mais acústicos. Um palco intermediário, menos arena, resolveria o problema.
A grande poeira que levantava do chão seco no meio da platéia também se tornou um problema a partir do terceiro dia do festival. Como a arena do palco Mundo é uma espécie de vale, cercado por ladeiras, a poeira ficava concentrada e dificultava acompanhar as atrações.

mockup