Houve um tempo em que o comércio de música estremecia com a possibilidade de passar o Natal sem um novo disco de Roberto Carlos. Desde a crise pessoal com a morte de Maria Rita, porém, as coisas foram mudando de figura, paralelamente à crise das gravadoras versus pirataria. Nos últimos anos, a discografia do ''Rei'' vem primando pela repetição de material ao vivo, em que invariavelmente há repertório já conhecido e testado.
Neste fim de 2007, os fãs terão de se contentar com duas caixas de títulos antigos (mas inéditos no Brasil) gravados em espanhol para o mercado hispânico. O álbum com registro do show (mais um), realizado em maio passado em Miami, ficou para 2008. Sem pressa.
''Pra Sempre em Espanhol'' tem 11 CDs na primeira caixa e igual número na segunda. Juntando tudo não dá um disco que seja digno de uma segunda audição, principalmente porque as versões originais em português são melhores. Roberto, como João Gilberto e outros brasileiros, não soa bem em outras línguas. A caixa 2, que cobre o período de 1982 a 1993, tem o agravante de flagrar o declínio criativo do cantor.
O repertório é composto, na maioria, de canções gravadas em português em seus álbuns brasileiros. Alguns deles, porém, têm faixas inéditas, que podem interessar a colecionadores e fãs mais dedicados, como ''Tristes Momentos'', ''Mis Amores'', ''Abre las Ventanas a el Amor'', ''Poquito a Poco'' e ''Una Casita Blanca''. Não mais do que sobras de uma ceia requentada.

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