MÚSICA - Repertório DJAVÂNICO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Das agências 
O cantor e compositor Djavan está de volta. Desde 2004 sem pisar nos palcos de São Paulo, ele traz o repertório de seu mais novo disco, ''Matizes'', o décimo oitavo de sua carreira, que foi lançado recentemente por seu próprio selo, Luanda Records. A temporada de Djavan prevê quatro apresentações, a partir de quinta-feira até domingo, no Citibank Hall.
Ele apresenta o CD Matizes que tem 12 músicas inéditas, pelo menos metade delas djavânicas. São aquelas canções que se tornaram a marca de Djavan, arranjos vigorosos, calcados em blues, para letras aparentemente simples, mas de soluções nem tanto, e imagens que instigam, ficam na cabeça. Caso de ''Pedra'', tipo de música que pode ganhar nossa intimidade na marra e, quando a gente vê, está na lista das dez mais de cada um de nós.
''Pedra'' é a primeira música de trabalho do novo álbum que já toca nas rádios. É uma canção típica de seu repertório, facilmente comparável a outras tantas de seu acervo romântico, em tais versos: ''Febre de amor / Sede de anseio/ Quase a escuridão / Você partiu, me reduziu /Amor, me perco em lágrimas''
É letra que pode soar equivalente a alguma canção antiga de Djavan, como assim parece ''Joaninha'', mas trata-se de novidades. Aliás, em ''Matizes'', o novo é fio-condutor: são doze composições autorais e inéditas. É o prazer da joaninha andando na folha ao sol, a inveja da pedra onde a amada se deita, a boca-luva, o rosa-vulva - e o Rio de Janeiro. Mas também a CPMF, a devastação da mata, a mulher que, se fosse planta, seria comigo-ninguém-pode.
Djavan mergulha no samba na faixa-título, exalta o Rio de Janeiro (''Delírio dos Mortais''), cidade onde mora há 30 anos e que canta pela primeira vez, passeia por bolero (''Desandou'') e traz, claro, o amor, na já citada ''Pedra'' e ainda em ''Adorava Me Ver Como Seu''.
Ele também questiona a carga tributária do País. Em ''Imposto'', Djavan protesta contra os abusos e as elevadas taxas cobradas dos brasileiros pelo governo. A canção tem como base a bossa-nova, promovendo um contraponto entre uma sonoridade leve e um tema áspero.
Senhor de sua carreira, e certeiro nos passos dela, Djavan dá respostas aceleradas. Quando fala como arranjador, é matemático. Confessa que compõe para si mesmo, e que quando sai do estúdio achando que tem uma música boa, nem quer saber de opiniões alheias. E se mantém admiravelmente seguro, sem entretanto um pingo de empáfia, num mercado que classifica como convulso.
No novo show, Djavan, entretanto, não se limita às novidades e mata o anseios dos fãs que veneram seus grandes clássicos. Estão previstas no repertório, canções como ''Oceano'' e ''Eu Te Devoro''.


