O cenário remete às raízes tupiniquins, com o verde-amarelo disposto em bastões ao lado de um mapa do Brasil feito a partir de peças de máquinas. As luzes se apagam lentamente e cinco figuras com traços nordestinos levantam e em pouco mais de um minuto encantam a platéia com um som legítimo, nacional, nosso, até estranho para quem está acostumado a ser bombardeado por coisas de fora todos os dias. Em seguida, um rapaz com silhueta indígena recita explicações sobre o que está acontecendo, no pocket-show de apresentação de novos editais e das atrações musicais selecionadas pelo programa Rumos Itaú Cultural, que no segundo semestre viajam por diversas regiões do País.
O quinteto que abriu a noite com sua bela música regional (e nacional), é composto por Antônio Pedro Sobrinho (pife), Expedito Pedro da Silva (pife), Luiz Pedro Sobrinho (prato), José Carlos da Silva (caixa) e Jeneci Antonio da Silva (zabumba). Eles formam a Banda de Pífanos de Santo Antônio de Carnaíba, de Pernambuco, que, desde 1902, quando foi criada pelo agricultor Firmino Barbosa, é mantida por seus descendentes. Frevo, marcha, xote, baião, dobrado seco, entre outros gêneros, são executados com naturalidade - como se estivessem cozinhando uma receita de família - em shows, novenas e festas. E agora Brasil afora.
Já o rapaz com traços indígenas e cheio de palavras bonitas chama-se Eliakin Rufino. Nascido em Roraima, cresceu em meio à poesia nos anos 80 e distribuiu seus versos nas composições de vários músicos em Boa Vista, Manaus e Belém. Lançou seu primeiro disco, entre o techno e o pop, em 1997, batizado de ''Amazônia Legal''. Agora, prepara mais um trabalho, ''Mestiço'', que, como o nome indica, reflete sobre a ''aldeia'' em que todos vivem no Brasil mas muitos deixam de lado.
Rufino antecede o paulista Alessandro Penezzi, violonista ágil, dono de uma técnica comparável a Yamandu Costa, com quem já fez parceria. Penezzi, também compositor e arranjador, já excursionou por Rússia, Estados Unidos e Angola, ao lado do bandolonista Aleh Ferreira e o violoncelista Júlio Ortiz, no Trio Quintessência. Em 2001, lançou o disco ''Abismos de Rosas'' e há dois anos tocou com Beth Carvalho, Arismar do Espírito Santo, entre outros, na gravação de ''Alessandro Penezzi''.
A Banda de Pífanos, Rufino e Penezzi compõem, ao lado das bandas Conversa Ribeira (SP), Quartchêto (RS) e Vanguart (MT), o grupo de artistas selecionados no edital Rumos Música e que agora estão na fase de difusão. Eles fazem neste ano 50 apresentações, das quais 25 acontecem em São Paulo nos seis primeiros meses e 25 no segundo semestre, em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Belém e Salvador. Os shows, que comemoram também a abertura de novos editais do Rumos Artes Visuais e Rumos Educação, Cultura e Arte, começam já neste final de semana, com entrada franca, em São Paulo. Para saber mais sobre as atrações e o programa Rumos Itaú Cultural, basta acessar www.itaucultural.org.br/rumos.

SERVIÇO
- Shows Rumos Itaú Cultural
Hoje - Alessandro Penezzi (SP) e Vanguart (MT)
Amanhã - Conversa Ribeira (SP) e Eliakin Rufino (RR)
Domingo - Banda de Pífanos Santo Antônio de Caranaíba (PE) e Quartchêto (RS)
Onde - Itaú Cultural, Avenida Paulista, 149, perto da Estação Brigadeiro do metrô, em São Paulo, às 19h30
Quanto - Entrada franca, mas os ingressos devem ser retirados com meia hora de antecedência
Mais informações - Tel. (11) 2168-1700 e pelo site www.itaucultural.org.br.
O jornalista viajou a convite da organização do evento

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