Ná Ozetti, Jards Macalé, o grupo de choro Nó em Pingo d'Água e a nordestina Selma do Coco formam a primeira caravana da reedição do Projeto Pixinguinha, que se apresenta em oito cidades, a partir de 1º de setembro. A estréia será no auditório do Palácio Capanema, no Rio, porque a retomada do principal meio de divulgação da música popular brasileira entre os anos 70 e 90 era uma das principais metas do ator Antônio Grassi na presidência da Fundação Nacional de Artes (Funarte).
Depois, o grupo vai para Belo Horizonte, Ipatinga, Vitória, São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba, com shows dia sim, dia não, até 15 de setembro.
A segunda caravana Ellen de Lima, Caio César, Elizah e o conjunto Época de Ouro parte de Salvador, em 2 de setembro, para Aracaju, Maceió, Recife, Olinda, João Pessoa, Natal e Fortaleza. Ainda em setembro, mais dois grupos se formam e, até outubro, oito caravanas percorrem as 27 capitais e cidades do interior. ''Além da música, promoveremos a circulação das artes cênicas e das plásticas'', promete Grassi, que viabilizou o Pixinguinha com R$ 3 milhões, vindos do Fundo Nacional de Cultura e da Petrobras, pela Lei Rouanet, e o apoio das prefeituras e governos estaduais. ''O Pixinguinha volta entre abril e novembro de 2005, com 32 shows diferentes percorrendo todo o País.''
Selecionar os artistas foi difícil. Foram mais de 1.500 inscrições para escolher pouco mais de cem artistas que formarão as caravanas deste ano e do próximo. Há medalhões, como João Donato; músicos que frequentam as fichas técnicas de nossos melhores discos, como Leandro Braga e Maurício Carrilho; artistas que começam a ganhar expressão nacional, como Renato Braz (vencedor de um Prêmio Visa) e Jair do Cavaquinho (da Velha Guarda da Portela), e outros que andavam sumidos, como o gaúcho Vítor Ramil.
''Foi um sofrimento chegar a esse número porque havia muita qualidade'', conta a diretora de Música Popular da Funarte, Ana de Holanda, lembrando que os 14 artistas que estavam no que seria o último Pixinguinha, cancelado repentinamente em 1997, foram automaticamente selecionados na retomada. ''A organização das caravanas depende da agenda dos artistas e dos estilos, pois vamos misturá-los, característica do antigo Pixinguinha. Os artistas regionais, que passaram pela seleção e/ou foram indicados pelas secretarias de Cultura dos Estados vão sempre se apresentar longe de casa.'' O crítico e pesquisador João Máximo conta detalhes da seleção. ''O João Donato, se inscreveu com dois projetos e o juri se dividiu entre os dois, mas ficou claro que ele deveria ser selecionado'', disse Máximo.
''Procuramos equilibrar samba, choro tradiconal e moderno com outros gêneros. Como ficaram de fora muitos músicos bons, sugerimos que escolhidos agora fiquem em 2006.''

Excepcionalmente hoje deixamos de publicar a coluna ''Blues'', de Kiko Jozzolino

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