MÚSICA - Projeto Pixinguinha volta à cena
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sábado, 22 de maio de 2004
Beatriz Coelho Silva<br> Agência Estado 
A Fundação Nacional de Artes (Funarte) vai reativar seus principais programas nas áreas de música, artes visuais e artes cênicas, depois de quase oito anos. A retomada começa, oficialmente, em 9 de junho, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe em Brasília os músicos do Projeto Pixinguinha (shows que vão percorrer as 27 capitais brasileiras), mas os editais dessa e das outras áreas (o Mambembão, de artes cênicas, e Macunaíma, de visuais, que voltam reestruturados e com novos nomes) já estão no site funarte.gov.br.
''Nosso objetivo é fazer a produção circular pelo País. Tivemos nosso orçamento para esses projetos aumentado de R$ 13 milhões, em 2003, para R$ 25 milhões, este ano e estabelecemos parcerias com Estados e municípios, que nos permitirão reativar o Pixinguinha, digitalizar nosso acervo sonoro e revitalizar a Escola Nacional do Circo'', comemora o presidente da Funarte, Antônio Grassi. ''Os primeiros meses de nossa gestão foram de reestruturação da instituição e de seus programas, pois o País mudou nos oito anos em que ficamos parados.''
O projeto de maior evidência é o Pixinguinha, que envolve música popular e recomeça em setembro, com 36 artistas, nacionais e regionais, e 93 shows. Como aconteceu entre 1977 e 1997, cada turnê reunirá dois nomes nacionais e um regional. O elenco ainda não foi definido, mas 14 estão pré-selecionados: Billy Blanco, Dona Ivone Lara, Ellen de Lima, Época de Ouro, Jane Duboc, Jards Macalé, Joyce, Mário Adnet, Miltinho, Ná Ozzetti, Nó em Pingo d'Água, Sebastião Tapajós, Zé Renato e Caio César, que tocou com Canhoto da Paraíba.
''Eles estavam no segundo Pixinguinha, de 1997, cancelado um mês antes do início. Por isso, são candidatos naturais'', conta a diretora de Música Popular da Funarte, a cantora Ana de Holanda. Ela era do elenco cancelado, mas participará devido ao seu cargo e trouxe novidades para a reedição. ''Os artistas regionais irão a Estados diferentes dos seus, por sugestão dos secretários de Cultura. Eles alegaram que esses músicos só precisam do Pixinguinha para divulgação nacional, pois seu público local já os prestigia.''
O Pixinguinha custa R$ 3 milhões à Funarte, R$ 2 milhões vindos do Programa Petrobrás Cultura. ''Entramos com os cachês dos artistas e as prefeituras e Estados com os teatros e despesas de hotel e alimentação'', contabiliza Grassi. ''Além dos músicos, viajarão também produtores e, no fim, teremos um cadastro de quanto o Pixinguinha e também os outros projetos representa para a economia nacional e regional, em termos de criação de empregos.''
O projeto de artes cênicas só tem estruturada a circulação regional. ''Serão 20 ou 30 companhias de teatro, dança ou circo que se farão espetáculos e oficinas em pelo menos quatro cidades de dois Estados. Cada grupo receberá R$ 40 mil, com o compromisso de cobrar ingresso até R$ 10. Começaremos pelo Nordeste, como experiência, para corrigir o que for necessário nas outras regiões'', adianta Grassi que, por ser ator, tem uma lembrança afetiva dos projetos de artes cênicas da Funarte. ''Para a circulação nacional, dependemos de acordos com a Infraero, mas nossa idéia é fazer espetáculos viajarem por todo o País, como acontecia antigamente no Mambembão.''
O projeto de artes visuais se volta para a produção contemporânea e pretende circular com obras e pessoas, segundo seu diretor, Xico Chaves. ''Fica caro promover exposições itinerantes e nem sempre os museus emprestam peças. Por isso, montaremos uma grande mostra no Palácio Gustavo Capanema (no Rio), com cem artistas de todo o País, e também os levaremos aos Estados para intercâmbio com os artistas locais'', adianta ele. ''Montaremos ainda mostras menores nas galerias Funarte de Brasília e São Paulo e, quem sabe em 2005, reativaremos o Salão Nacional e voltaremos a editar obras de reflexão.''
Além desses projetos, a Funarte usará recursos do Programa Petrobrás Cultural para revitalizar a Escola Nacional de Circo, que funciona na Praça da Bandeira, e para digitalizar seu acervo sonoro. São 855 espetáculos de música, realizados entre 1977 e 1997. Há 225 shows do Projeto Pixinguinha, que começou com uma turnê de João Bosco, Clementina de Jesus e o Conjunto Exporta Samba, foi interrompido entre 1990 e 1993 e saiu do ar em 1997, após um show que reunia o grupo Nó em Pingo d'Água, os cantores Zé Renato e Jorge Cardoso.
Os shows da Sala Funarte-Sidney Miller foram gravados entre 1977 e 1987 e reúnem nomes consagrados hoje como Miúcha, Elba Ramalho e Leila Pinheiro. Há ainda 156 concertos das Bienais de Música Contemporânea realizadas no período. ''O destino desse acervo está em aberto, mas vamos deixá-lo à disposição na internet'', promete Grassi. ''Ainda estamos fechando o orçamento desses patrocínios, mas eles virão ainda em 2004.''


