MÚSICA - Pato Fu bagunça de novo o pop
Houve um brinquedo, nos anos 80, chamado Genius. Era um disco gorducho com quatro botões gigantes, um de cada cor, e cuja brincadeira consistia no seguinte: ao se apertar os botões, o Genius repetia musicalmente os toques, acrescentando a eles um novo toque. O desafiante tinha de repetir o novo padrão musical, que ia se complicando. Quando o desafiante errava, o Genius gongava o perdedor com um toque mais grave, tipo berrante. Pois bem: em seu novo disco, Música de Brinquedo, o Pato Fu refez os solos de sax barítono do clássico Todos Estão Surdos, de Roberto Carlos, somente com os toques de erro do Genius.
O velho Genius é apenas um dos muitos instrumentos de brinquedo que recheiam as gavetas do estúdio em Belo Horizonte no qual a banda mineira Pato Fu gravou seu 10º álbum. Carrinhos com som de ambulância, apitos, sirenes, macacos que tocam pratos, chocalhos, pianinhos, flautas de plástico, glockenspiel (xilofone de latão): o arsenal é admirável.
Depois de longa ausência (motivada pelo êxito da estreia solo da vocalista Fernanda Takai) o Pato Fu resolveu se arriscar agora nessa aventura imponderável um disco e um show que possam ser interessantes para crianças e para adultos, que não rompa com a tradição de renovação estética constante da banda, e que não seja passível também da catalogação fácil. Com o festivo reforço de Nina, 6 anos, filha de Fernanda e de John Ulhoa (guitarrista e produtor da banda), e dos amiguinhos de Nina, Matheus e Mariana, o CD é, para dizer o mínimo, provocador.
● É uma banda de rock alternativo formada em 1992, em Belo Horizonte. Foi considerada pela revista Time uma das dez melhores bandas do mundo fora dos EUA
● Dentre as releituras do disco, estão Rock and Roll Lullaby (BJ Thomas), Love me Tender (Elvis) e Ovelha Negra (Rita Lee)





