MÚSICA - Outrora brega, agora cult
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terça-feira, 23 de maio de 2006
Andrezza Capanema<br> Folhapress 
Nos anos 70 e 80, eles eram fenômenos. Mas a popularidade vinha acompanhada por rótulos como cafona e brega. Recentemente, o culto às décadas marcadas pelo exagero os libertou da perseguição e devolveu a eles o sucesso. Hoje, Sidney Magal, Odair José, Genival Lacerda e Jorge Loredo são considerados ''cult'' atualização dos termos cafona e brega , porém, o fato de carregarem na tinta agora é legal.
Fã do cantor Odair José, o economista Sandro Rogério Lima Belo criou, no ano passado, o selo independente Allegro Discos para relançar os discos do músico. Como não conseguiu liberação das gravadoras que têm o direito das obras, colocou no mercado o CD ''Eu Vou Tirar Você Desse Lugar''.
No álbum, artistas declaradamente fãs do intérprete cantam sucessos do ídolo. Paulo Miklos emprestou a voz para a música que dá nome ao trabalho, Pato Fu, a ''Uma Lágrima'', e Mundo Livre SA, a ''Deixe Essa Vergonha de Lado''.
A homenagem trouxe o artista de volta à cena musical. ''Mesmo fora da mídia, nunca deixei de fazer show. Mas, por causa do tributo, voltei a tocar em lugares grandes, o público aumentou e o cachê dobrou'', conta Odair José, que vai estrelar no segundo semestre o documentário ''Odair José''.
Sidney Magal retomou a agenda dos tempos de glória. O cantor viaja pelo país com o show de divulgação do DVD ''Sidney Magal Ao Vivo'' e nos próximos meses pretende tirar da gaveta o projeto de um documentário sobre a vida e a carreira, que terá assinatura dos cineastas Cacá Diegues e Vicente Amorim.
''As pessoas que curtem o meu trabalho hoje gostavam de mim na infância. E a criança não sabe o que é brega e o que é chique, ou ela gosta de alguma coisa ou não. A criançada cresceu e não tem vergonha de dizer do que gostava no passado'', fala Sidney Magal, tentando explicar por que voltou à moda pop.
Genival Lacerda, que recebeu diversas variações do título brega em 55 anos de carreira, viu a agenda de shows lotar nos últimos meses com a valorização do passado. A partir de junho, terá os passos seguidos pela cineasta Carolina Paiva, que levará a história dele aos cinemas com o documentário ''O Rei da Munganga''. ''Nunca fui brega. Sempre fui forrozeiro. Se ser chamado de brega me faz aparecer e mostrar meu trabalho, tudo bem'', declara Genival Lacerda.
Já Jorge Loredo, conhecido nacionalmente como o personagem Zé Bonitinho, caiu nas graças de Selton Mello. O ator-comediante protagonizou ''Quando o Tempo Cair'', primeiro curta-metragem do ator-diretor, e está escalado para ''Feliz Natal'', primeiro longa do estreante. ''Não sei explicar por que tenho fãs em várias gerações. Outro dia li que tudo que é muito velho fica novo. Vai ver é isso'', diz Jorge Loredo, que no ano passado teve o documentário ''Câmera, Close'' exibido na GNT.


