MÚSICA - Novas trilhas no mercado
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segunda-feira, 25 de abril de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
''A era das grandes gravadoras acabou. Não existe mais um sistema que irá acolher o artista, por mais genial que ele seja. Os músicos têm que atuar hoje como produtores, divulgadores e distribuidores. Eles precisam correr atrás dos recursos e aprender a se vender enquanto produto. Não existe mais a gravadora que cuida de tudo''.
A constatação é do músico mato-grossense Márcio De Camillo, que faz uma palestra hoje na Universidade Estadual de Londrina sobre a produção independente e a crise da indústria fonográfica. O evento começa às 17h30 na sala 656, no prédio do curso de Música, com entrada franca. A promoção é do projeto Rádio-Ação, do Núcleo de Música Contemporânea.
Não será desta vez que o artista mostrará as músicas de seu novo e terceiro CD, ''Márcio De Camillo ao Vivo'', que está lançando simultanemante com o DVD homônimo. ''Eles saíram da fábrica na quarta-feira da semana passada. Pretendo voltar para cá para fazer um show de divulgação'' anuncia o músico, que está radicado em São Paulo desde 1988.
Há dois anos, Camillo foi um dos 25 artistas sul-americanos selecionados para participar do Music Cultural Industries Workshop, promovido pela Unesco e realizado em Salvador (BA). Desse encontro surgiu o convite da Unesco para representar este grupo de artistas no Womex ( The word music expo) em Sevilha, na Espanha.
Neste projeto, ele teve a oportunidade de trabalhar com músicos de renome como Marie Afonso (integrante do grupo Europeu Zap Mama indicado para o Grammy internacional) e Janny Adlington (uma das responsáveis pelo fenômeno Buena Vista Social Club). No ano passado, voltou os olhos para sua terra e fundou a Associação de Músicos do Pantanal (AMP) com o objetivo de difundir a produção musical sul-mato-grossense.
A partir dessas experiências, idealizou um ''guia prático para o artista independente'', cujo esboço está presente nos depoimentos incluídos em seu primeiro DVD, que traz participações de Renato Teixeira, Zé Geraldo, Mário Manga e Benjamim Taubkin. O DVD, assim como o CD, foram gravados ao vivo em dezembro de 2003 no Teatro Aracy Balabanian, em Campo Grande.
O trabalho reúne 14 canções inéditas de sua autoria e duas regravações: ''Cala Boca Zebedeu'', de Sergio Sampaio, e ''Carinhoso'', clássico de Pixinguinha e Braguinha. As duas ganharam novas roupagens. No palco, ele cantou e tocou violão de aço e nylon acompanhado de Orlando Baron (cavaco, violão de aço e vocal), Luciano de Sá (contrabaixo), Néio de Jesus (percussão), Paulinho Chimenes (piano acústico), João Oliveira (fluegelhorn) e Josué Pinheiro (trombone de vara).
O cantor e compositor Jerry Espíndola fez uma participação especial na canção ''Aquática'', música composta em parceria. Hoje trilhando a produção independente, Camillo lembra que gravou seu disco de estréia ''Olhos D'Água'' pela gravadora Paradoxx Music. O CD, lançado em 1996, trazia uma fusão de ritmos tipicamente brasileiros, mesclados com os ritmos da Bacia Platina. O disco foi indicado para o Prêmio Sharp.
Em 2001, veio o segundo CD, ''Telepaticamente'', produzido por Mário Manga e já sem o amparo da indústria. ''Eu sou da geração de artistas que não possuem gravadora'' proclama ele. A palestra na UEL é aberta ao público em geral.
Serviço:
- Hoje: Palestra sobre produção musical independente e crise do mercado fonográfico, com o músico Márcio De Camillo. Horário: 17h30. Local: sala 656, prédio do curso de Música, na Universidade Estadual de Londrina. Entrada franca. Informações: (43) 3336-9931.


