MÚSICA - Múltipla Natália Mallo faz estréia-solo
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Lauro Lisboa Garcia<br> Agência Estado 
Simples é a palavra-chave para qualificar o trabalho-solo de Natalia Mallo. É ela própria quem identifica. Cantora dos grupos Trash Pour 4 e GatoNegro, Natalia acaba de lançar o álbum de estréia autoral, ''Qualquer Lugar'', em que assina parcerias com Alice Ruiz, Suely Mesquita, Paulo Leminski, Mathilda Kovak. O CD teve um pré-lançamento em novembro de 2007, mas só agora saiu de fato. Natalia se prepara para produzir o primeiro álbum com o GatoNegro e o terceiro do Trash Pour 4. Com o primeiro ela só canta tango.
''O Trash Pour 4 é uma coisa meio fortuita, é divertido, aconteceu sem eu querer'', diz Natalia. ''Agora vamos fazer um disco mais honesto, como um reflexo de tudo o que está acontecendo com a gente.'' Já seu trabalho-solo vem de uma longa maturação. A sonoridade acústica do grupo de tango está mais próxima do que Natalia mostra em ''Qualquer Lugar'', e tem também em comum a melancolia como componente significativo.
''O que faço no tango é tirar um pouco o dramatismo, embora tenha a emoção e a dinâmica própria do tango, e fazer uma interpretação mais tranquila.'' Nascida em Buenos Aires há 32 anos, Natália mudou-se para São Paulo em 1995 e impressiona por falar português sem nenhum sotaque. É que desde pequena teve contato com a música brasileira. Seu pai, o escritor Ernesto Mallo, sempre gostou de Maria Bethânia.
''Mel é o disco da minha infância. Meu pai era viciado nele'', lembra a cantora. Precoce, ela aprendeu a ler aos 3 anos e aos 8 já frequentava conservatório, onde aprendeu teoria e composição, violão e piano complementar. Na adolescência, quando começou a se apaixonar pela música brasileira (Chico Buarque, Caetano Veloso, Djavan, Paralamas), passou a cantar esse repertório em apresentações e rodas de violão.
Quando chegou a São Paulo se deparou com o lado alternativo da música referencial da cidade, com a qual se identificou. ''Acho que a música paulistana tem um certo hermetismo. É um pouco cerebral, mas é natural, porque é uma metrópole. O capital da cidade é a troca de informações, não é a praia, o sol, o luar'', pondera. ''Eu me identifiquei porque trazia isso de Buenos Aires. Acho bonito, mas reconheço que talvez fosse interessante artisticamente superar esse paradigma de alguma maneira, falar mais universalmente, não sei como.'' Sua música tem um estranhamento que combina com isso, embora seja de uma suavidade que facilita o entendimento mais geral.


