O pulso é jazzístico. Mas o repertório do show que o grupo Manifesto Instrumental executa hoje, amanhã e domingo no Teatro Zaqueu de Melo, em Londrina, privilegia ritmos brasileiros não necessariamente associados ao gênero.
No palco, a banda mostra um repertório totalmente verde-amarelo, como revelam títulos de composições como ''Baião de Dois'', ''Berimbau de Baterimbau'' e ''Nho Nho da Butica''. Os shows serão gravados para posterior registro em CD. O projeto foi aprovado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Criado há quatro anos, o grupo é formado por André Campelo (violão e guitarra), Ricardo Penha (baixo), Mateus Gonsales (piano) e Paganini (bateria). ''Nós somos a cozinha da Big Band'' diz Campelo, referindo-se ao conjunto instrumental londrinense liderado pelo maestro, compositor e saxofonista Vitor Gorni no qual todos tocam.
Gorni, aliás, tocaria nos shows como convidado especial mas acabou cancelando sua participação por falta de agenda. ''Seus horários livres não batiam com nossas reuniões e ensaios'' conta Campelo. Em seu lugar, foi chamado o músico Paulo César, o ''PC'', nascido em Paranavaí (PR) e morando atualmente em Diadema (SP).
A preparação para os três dias de apresentação tem sido intensa, com ensaios de manhã e à noite. A idéia de gravar o CD ao vivo visou à redução de custos, com o corte das eventuais despesas com estúdios. ''Para viabilizar o disco, tivemos que nos adequar ao orçamento apertado'' explica ele. Já a decisão de gravar três takes (tomadas dos três shows) partiu de uma preocupação dos músicos com as interferências que costumam poluir a captação de som no Teatro Zaqueu de Melo.
''Falaram que esse problema já foi resolvido, mas como conseguimos espaço para tocar nos três dias, optamos em registrar todas as apresentações para depois selecionarmos as melhores gravações'' salienta. Para compor o repertório do espetáculo/CD, eles emprestaram as composições ''Ventania'' e ''Arabesco'', de Mané Silveira; e ''Nho Nho da Butica'' de Paulo Braga.
''Esta última é um clássico, talvez seja a música mais bonita do disco'' sublinha o violonista. O restante das composições é de própria autoria e de pratas-de-casa. O já citado Vitor Gorni comparece com ''Essa é Nossa'' (em parceria com Vitinho) e ''Baião de Dois''. As demais peças são assinadas pelos integrantes do grupo. Ricardo Penha é autor de ''23 de Agosto'' e ''Depois eu Penso''; Mateus Gonsales assina ''Origem''; Paganini aparece com ''Berimbau de Baterimbau''; e André Campelo apresenta ''Malukediz''.
Campelo lembra que, no começo da empreitada, pensaram em gravar músicas de Tom Jobim e Guinga. Mas acabaram desistindo da idéia quando souberam dos trâmites burocráticos que envolvem a liberação de direitos autorais. Os shows, porém, poderão embutir músicas destes e de outros compositores incluindo nomes ilustres do jazz internacional. ''Se o show for curto e a platéia pedir bis, vamos tocar standards'' avisa.
Contrariando o discurso-padrão, Campelo não se queixa da ''falta de espaço'' para a música instrumental. ''Reconheço que existe um desconforto, que estamos à margem do mercado'' diz. ''Ninguém vai ligar me convidando para gravar um disco. Eu é que tenho que batalhar, fazer um projeto e tal. Mas acho que quem está no meio fica sabendo de festivais, revistas e dos novos talentos que estão surgindo por aí. Em Londrina, mesmo, há alguns grupos em atividade e a própria rádio Universidade FM conta com dois programas de música instrumental. Acho que quem ouve música instrumental, sabe onde encontrá-la''.
O grupo tem outras apresentações agendadas para setembro em Londrina. No dia 21, eles tocam na Av. Saul Elkind e no Jardim Bandeirantes. Já no dia 28, sobem ao palco do Anfiteatro do Zerão. Vale lembrar que os shows de hoje e amanhã começam às 19 horas, e o de domingo a partir de 17 horas. Todos terão entrada franca.


Serviço:
- Show com o grupo Manifesto Instrumental. Hoje e amanhã às 19 horas e domingo às 17 horas, no Teatro Zaqueu de Melo (Av. Rio de Janeiro, 413), em Londrina. Entrada franca.

mockup