MÚSICA - Miniópera ao gosto popular
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quarta-feira, 24 de setembro de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Esqueça a noção de ópera como um dramalhão apinhado de atores esbravejando no palco com figurinos de época. O espetáculo ''O Telefone'', que será apresentado hoje em Londrina, segue a tradição cômica do gênero prometendo cativar a gregos e troianos com seu libreto bufo e ambientado nos tempos modernos.
De autoria de Gian Carlo Menotti, a montagem traz à cidade os solistas Sandro Bodillon (barítono) e Rita Marques (soprano), ambos integrantes do corpo de canto lírico do Teatro Municipal de São Paulo. Eles sobem ao palco do Cine-Teatro Ouro Verde, às 20h30, com acompanhamento da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina.
O cenário foi criado por Paulo Braz. A peça tem apenas 30 minutos de duração. É apresentada em um ato e em formato de ópera de bolso. ''Ela foi encenada várias vezes em pequenas produções com os mesmos solistas, mas sempre com acompanhamento de piano. Esta será a primeira vez que se faz com orquestra'' explica o maestro Wagner Polistchuk, que estreou na batuta da OSUEL há cerca de um mês.
Segundo ele, houve uma grande integração entre os cantores convidados e os músicos durante o primeiro ensaio, realizado na última terça-feira. ''O problema foi a falta de concentração de alguns instrumentistas, que paravam para ouvir os solistas'' conta, divertido. Para o regente, o conjunto só tem a ganhar com a experiência.
''Minha proposta é desafiar os músicos com execuções de repertórios diferentes. A idéia é apresentar novidades também para o público, não se limitando aos Mozart e Beethovem de sempre, mas sem deixar esses compositores de lado'' diz. O acompanhamento com orquestra foi uma surpresa agradável também para o duo de vozes.
Comentando o primeiro ensaio, o barítono Sandro Bodillon lembra que o coletivo instrumental deu mais segurança para a performance da dupla: ''A partitura é muito timbrística, oferecendo espaço para a orquestração. Senti que ficou mais harmônico do que quando estávamos acompanhados apenas pelo piano''.
A soprano Rita Marques salienta que empresta sua voz ao espetáculo desde 1998. Lembra que a primeira montagem era ambientada na década de 50, retratando o período em que foi escrito o libreto. No começo desse ano, ela e Sandro decidiram atualizar o texto para os tempos modernos do celular, objeto que tem papel central na mini-ópera.
Também nessa temporada, resolveram levar a peça aos palcos em português. ''Já existia uma tradução dos anos 70. A gente pegou, fez algumas adaptações e acabamos mudando até o jeito de falar'' conta ela. ''O Telefone'', que recebeu também o título de ''O Amor a Três'', é uma comédia protagonizada por um homem apaixonado, uma mulher fútil e um telefone que não pára de tocar interrompendo a conversa do casal.
''No começo do espetáculo, brincamos com o público fazendo menção aos celulares que tocam no meio dos concertos'' acrescenta o maestro. O italiano Gian Carlo Menotti escreveu o libreto no final dos anos 40, fazendo a estréia nos Estados Unidos, onde pontificou durante quase quatro décadas como o mais prolífico compositor de óperas.
Pouco conhecido no Brasil, difundiu seu nome em espetáculos encenados no mundo todo como ''Amah e os Visitantes da Noite'', ''O Medium'', o ''Consul'' e ''A Solteirona e o Ladrão''. ''O Telefone'' é uma de suas peças mais compactas. Polistchuk ressalta sua escrita moderna, caracterizada pelas dissonâncias e pela complexidade harmônica.
''O espectador leigo pode achar que os músicos estão desafinando, mas tudo é proposital'' explica. Além da obra de Menoti, o espetáculo traz as composições ''La Scala di Seta'', de G. Rossini, e ''Sinfonia Nº 1'', de D. Schostakovich. Recém-contratado para reger a Orquestra da UEL, o maestro observa que o conjunto padece de carências em seu corpo instrumental.
''Contamos com 55 integrantes. O ideal seria que tivéssemos 70 músicos. Para preencher os buracos, estamos contratando alguns instrumentistas'' salienta. Para hoje, além do espetáculo da noite, está programado um ensaio aberto ao público a partir de 9 horas, também no Cine-Teatro Ouro Verde. As duas apresentações serão gratuitas.
Serviço:
- Miniópera ''O Telefone'', de Gian Carlo Menotti, Com a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL) e participação dos solistas Rita Marques e Sandro Bodillon. Hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Entrada Franca. Hoje, às 9 horas, acontece ensaio aberto ao público


