MÚSICA - Mais MPB para o mundo
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quinta-feira, 15 de setembro de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A música brasileira pode ser ainda mais consumida no exterior. Pelo menos se depender de um projeto que envolve as instituições representativas de música independente nacional. Em parceria com o Ministério da Cultura, Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex) e Sebrae, o ''Projeto Setorial Integrado Música do Brasil'' vai promover, durante um ano, o investimento inédito de R$ 8 milhões para ver a boa música brasileira tocada e consumida lá fora. Ousado, o projeto quer mostrar que o País não tem só bossa-nova, pagode e axé.
Assinado na semana passada em Brasília, o convênio vai focar ações que ampliem a participação de empresas de segmentos como gravadoras independentes, produtores de shows, distribuidores de selos, conteúdo de internet para download, escritórios de advocacia de direitos autorais, além de artistas que estejam em outros países. O projeto quer beneficiar 130 empresas desses setores, localizadas em dez estados, além do Distrito Federal. O Paraná está incluindo, representado pelas gravadoras MNS e Revivendo. Essas empresas são vinculadas à Associação Brasileira de Gravadoras Independentes (ABGI), à Associação Brasileira de Música Independente (ABMI) e à Brasil Música e Arte (BM&A).
As três instituições já tinham promovido projetos com o mesmo objetivo individualmente. ''Mas essa é a primeira vez que se unem em benefício da música brasileira'', ressalta o gerente executivo do projeto Michel Nicolau Neto, de São Paulo. Ele explica que, com a unificação, várias ações devem ser realizadas, incluindo a turnê de artistas do Brasil e o incentivo (também financeiro) para que as gravadoras independentes participem das feiras internacionais voltadas ao tema. ''O projeto vai incentivar essa participação, por exemplo, pagando os estandes, que custam cerca de 20 mil euros.
Além disso, o projeto pretende mapear o consumo da música independente do Brasil em outros países. Um estudo inédito, segundo o gerente executivo do projeto. ''Uma das dificuldades é que não sabemos de onde estamos partindo. Não existe um estudo detalhado que mostre como a música do Brasil é consumida'', diz, complementando: ''Queremos saber o que a música brasileira representa no exterior''.
O objetivo ainda é aumentar em 50% o valor do faturamento das empresas nos próximos três anos, chegando a US$ 2,6 milhões, e em 50% o número de empresas beneficiadas em um ano. A marca ''Música do Brasil' será criada para fortalecer a imagem desse setor no exterior, que contará com a ajuda de um portal, onde serão divulgadas as ações do projeto no exterior. O portal ainda não está funcionando, mas deve entrar no ar em breve, segundo afirma Nicolau Neto.
''É claro que nós queremos aumentar as vendas, mas nossa meta é criar o hábito do consumo da música brasileira, assim como existe o consumo da música cubana'', exemplifica. As gravadoras e principalmente os artistas comemoram a iniciativa inédita, já que o projeto pretende levar artistas para turnê fora do País. Os músicos serão selecionados por meio de um comitê formado pelas instituições envolvidas no programa.
Greyce Torres, do grupo curitibano Fato, que acaba de retornar de uma série de shows em Paris considera bastante necessário um projeto como esse, mas lembra que as iniciativas não podem ser isoladas. ''Fizemos quatro shows na França e foi ótimo. Mas o público não pode ter a sensação de que somos um 'meteoro''. Precisa ter uma continuidade, o público precisa se acostumar a consumir a música brasileira'', opina.


