Depois de quase uma 'odisséia' de três anos para a viabilização de recursos para a compra de um dos melhores pianos do mundo, finalmente a diretoria da Artis Colegium Associação Cultural está tendo a satisfação de apresentar o seu piano de cauda Steinway Concert Grand Model (que mede 2,75 metros de comprimento, tem 1,5 metro de altura e pesa 450 quilos). Importado dos Estados Unidos, o piano é sinônimo de excelência musical, com garantia aproximada de 100 anos. No Brasil, há 30 pianos deste tipo. No Paraná, além de Curitiba, Londrina é a única cidade a possuir um piano deste porte e também a segunda cidade do interior, depois de Campinas (SP). Ontem, em entrevista coletiva realizada no Teatro Marista, representantes da associação deram mais detalhes sobre a aquisição do instrumento. Para inaugurar o novo piano, está marcado um concerto com o renomado pianista Nelson Freire no dia 8 de outubro, no Teatro Marista. Hoje, dentro da série ''Concertos nas Igrejas'', a Orquestra de Câmara ''Solistas de Londrina'' se apresenta às 19 horas, na Capela do Colégio Mãe de Deus (Rua Goiás, 830), com entrada franca. No repertório, Vivaldi, Mozart, Villa-Lobos e Guerra-Peixe. Direção artística e spalla de Evgueni Ratchev.
E o que faz do Steinway um modelo tão privilegiado? Segundo a diretora da associação, Irina Ratchev, tocar em um piano dessa marca é o sonho de qualquer pianista e o segredo seria a potencialidade dos seus recursos sonoros. ''Ele tem um ótimo sistema de ressonância e os materiais utilizados na sua confecção são de alta qualidade. Não há distorção do som, quando o pianista toca com uma intensidade maior'', afirmou. Tudo é tão minuciosamente pensado nessa peça rara que até o verniz é considerado prejudicial à produção de som e, portanto, a madeira usada no Steinway é fosca.
Irina contou que a idéia de ter um piano desse tipo surgiu de uma conversa informal com a amiga Vera Tkoltz, ex-consulesa da Alemanha, em Rolândia, que lhe passou o contato de um representante da marca em São Paulo e foi o pontapé inicial para a elaboração de um projeto técnico detalhado para a captação de recursos, via Lei Rouanet, para a compra do instrumento. Variação do dólar, de taxas cambiais, impostos, armazenagem, transporte aéreo e terrestre, seguro foram alguns dos desafios enfrentados que, ao todo, custaram o investimento de R$ 367 mil. A primeira empresa a acreditar na idéia foi a Café Iguaçu, de Cornélio Procópio, que bancou R$ 204 mil para a aquisição do instrumento. Posteriormente, com apoio do deputado federal Alex Canziani, a Petrobras investiu R$ 163 mil que foram usados no pagamento de taxas e despesas com logística. Através de um convênio com o governo do Estado houve isenção do ICMS, que inviabilizaria a conclusão do projeto.
O diretor de controladoria da Café Iguaçu, Ivaldo Fioravanti, ressaltou que faz parte da filosofia da empresa, que está há 38 anos no mercado, investir em ações sócioculturais da região, como o Festival de Teatro de Londrina, e que não foi difícil 'convencer' a empresa a acreditar no projeto. ''O diretor-presidente da empresa (Ippei Sakaguchi) já conhecia o piano e todos nós ficamos entusiasmados com a idéia'', comentou.
Provisoriamente, o piano ficará em uma sala térrea sedida pelo Teatro Marista, mas também está sendo estudada uma parceria com o Colégio Mãe de Deus, que em breve terá a construção do seu teatro finalizada. Futuras parcerias deverão ser feitas até mesmo para ajudar a custear a manutenção do piano, que exige cuidados na retenção da umidade, variação de temperatura e afinação.
Hoje, excepcionalmente, deixamos de publicar a coluna Reality Show.

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