A obra de Ernesto Nazareth (1863-1934) sempre norteou o repertório da pianista paulistana Eudoxia de Barros. Ao resgatar peças do compositor, na década de 60, acabou contribuindo para o ressurgimento do chorinho. De lá para cá, a intérprete nunca deixou de divulgar o repertório do mestre em recitais e discos, como poderá atestar o público que comparecer hoje à noite ao Teatro Marista em Londrina.
Eudóxia se apresenta a partir de 20h30, em promoção da Associação Médica em parceria com a Folha de Londrina e o Colégio Marista. O concerto é uma homenagem aos 70 anos da cidade. No palco, a pianista deverá executar marchas, polcas, mazurcas e choros de Nazareth e de nomes como Chiquinha Gonzaga, Zequinha de Abreu, Camargo Guarnieri, Edino Krieger e Osvaldo Lacerda (com quem é casada desde 1982).
Não estão descartadas, porém, peças de Debussy, Mozart, Chopin, Lizst e outros clássicos, a exemplo do que fez há dois anos em sua última apresentação na cidade. Considerada uma das mais completas pianistas do País, ela realiza cerca de 50 concertos por ano. Seu currículo destaca incontáveis apresentações no exterior a convite do Itamaraty incluindo metrópoles como Paris, Londres e Nova York e países como Suiça, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador e Paraguai.
Influenciada pelo ambiente familiar, cujos pais amavam música (embora não fossem do metiê), Eudoxia de Barros iniciou-se no piano com Matilde Frediani. Mais tarde, estudou com Nellie Braga e Karl Heim, diplomando-se em 1951 no Instituto Musical de São Paulo. Pouco depois, foi aluna particular de Magda Tagliaferro (1954-1957), período em que viajou para a França onde frequentou vários cursos.
Em 1967, tirou o primeiro lugar no Concurso para solista da ''North Carolina Symphony'', excursionando com a orquestra no mesmo ano. Em 1995, recebeu o ''Prêmio Nacional da Música'' outorgado pela Funarte. Dois anos depois, foi escolhida a ''melhor recitalista'' da temporada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
Eudóxia gravou 41 discos 31 LPs e 10 CDs. Defensora da tradição musical brasileira, chegou a fundar com Osvaldo Lacerda e outros compositores o centro de Música Brasileira, uma sociedade civil que organizava concertos e concursos voltados exclusivamente para o cancioneiro pátrio. Atualmente é vice-presidente do Centro de Música Brasileira, além de pertencer à Academia Pernambucana de Música e à Academia Brasileira de Música (cadeira nº 14).
Como pesquisadora, marcou a história da música erudita nacional ao descobrir e gravar as composições de Ernesto Nazareth do modo como ele as escreveu e não a partir dos arranjos feitos posteriormente por maestros de renome como Radamés Gnatalli. A descoberta influenciou o repertório de dezenas de outros pianistas brasileiros, que também passaram a frequentar o legado do compositor.

Serviço:
- Recital de Eudóxia de Barros. Horário: 20h30. Local: Teatro Marista (R. Cristiano Machado, 241). A entrada é franca, mas os interessados deverão retirar convites na Associção Médica de Londrina (Praça 1º de Maio, em frente à Concha Acústica) ou na Folha de Londrina (Rua Piauí, 241) ou no Colégio Marista (Av. Maringá, 78).

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