MÚSICA - Laços musicais cada vez mais estreitos
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quarta-feira, 10 de setembro de 2003
Ana Setti Rosa<br> Reportagem Local 
De 5 a 9 de setembro, Londrina participou, com uma contribuição fundamental, da gravação da trilha sonora do desenho animado francês ''Marsupilami'', que trata das aventuras de um bicho simpático e engraçado, de pele amarela com pintas pretas e uma cauda de seis metros de comprimento. Conhecido do público brasileiro, uma vez que foi apresentado pela TV Globo e em canais pagos no decorrer de 2001, o desenho é produzido na França pela Marathon International e entra, agora, em sua segunda fase, com 26 episódios de 26 minutos cada.
A gravação dos 120 ''momentos'' ou trechos musicais, com duração de 40 segundos a 1 minuto cada, que compõem a trilha, foi realizada em duas fases a primeira em junho e reuniu o compositor italiano Giovanni Luisi, o produtor francês Norbert Gilbert e os músicos da Orquestra de Câmara ''Solistas de Londrina'', além de convidados, como o timpanista Marcelo Casagrande e os trompetistas Ricardo Gau e Luiz Roberto Lima Santos, da Orquestra Sinfônica da UEL, e três instrumentistas de Curitiba, Jairo Wilkens, Zélia Brandão e Marcelo Oliveira. O estúdio Trilhas Urbanas, de Curitiba, responsabilizou-se pela montagem da estrutura de gravação, utilizando o auditório do Crystal Palace Hotel, de Londrina.
O articulador dessa oportunidade de negócio, inédita para a cidade, foi o empresário Marco Veronesi, presidente do programa Brasil Europa (antigo Paraná Europa), que desde o início dos anos 90 viabiliza ações comerciais, sociais e culturais com os países do continente europeu. Para essa iniciativa, em particular, fez parceria com o Artis Collegium, sociedade cultural coordenada por Irina Ratcheva, da Orquestra de Câmara ''Solistas de Londrina'', visando a propiciar condições adequadas de trabalho para Giovanni e Norbert.
Da dupla européia, o maestro Giovanni é o que mais conhece o Brasil. Com 15 anos de experiência em composições aplicadas a imagem filmes, documentários, desenhos animados etc. em seu currículo de músico com formação erudita, esteve em Londrina pela primeira vez em 1997, quando ministrou um curso sobre sua especialidade no Festival de Música, tendo voltado várias vezes. Já Norbert, que produz áudios para clientes como a Fox e a Disney internacionais, a partir de sua empresa Yellow Shark, com sede em Paris, está estreando em terras brasileiras e se mostra bastante animado com os resultados obtidos.
Além de elogiar o virtuosismo dos músicos envolvidos no trabalho, Norbert destaca a possibilidade de o Brasil, Londrina em particular, se tornar uma alternativa para gravações como a realizada para ''Marsupilami''. De acordo com o produtor francês, ''na Europa, há uma crescente tendência de terceirizar esse trabalho, buscando-se estruturas fora dos grandes centros, como de países do leste Europeu e mesmo da Ásia, que ofereçam qualidade igual, em termos técnicos e musicais, mas com custos de produção menores''. Dadas as características peculiares de uma composição para imagem, como explica o maestro Giovanni, que ''costuma ficar pronta em cima da hora'', a principal exigência é em relação a ''músicos capazes de uma rápida assimilação da partitura, sem perder a precisão técnica e a qualidade da interpretação''.
Contudo, em sua opinião, o que ainda falta no Brasil ''é uma cultura específica dessa disciplina'', que envolveria, segundo relaciona, a especialização de ''compositores, músicos e técnicos de gravação em música para imagem, além da organização de estruturas apropriadas para a realização desse tipo de trabalho ''. No entender de Irina Ratcheva, já ''existe a intenção de dar continuidade a um núcleo de gravação de trilha sonora em Londrina'', mas, como complementa Veronesi, será preciso, para consolidar na prática esse objetivo, contar com um centro de formação e de produção eespecializado em música para imagem.
Os primeiros passos nesse sentido estão sendo dados com o trabalho que foi realizado este ano, mas talvez seja ainda necessário mais algum tempo, calcula, para que essa construção ''um arranha-céu'' recém-iniciada ''alcance o nível da cobertura''.


