MÚSICA - Hardcore melódico
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quinta-feira, 07 de agosto de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Quando surgiu, o hardcore impôs-se como uma ramificação mais zangada do punk rock. Batidas rápidas e letras politizadas marcavam um estilo cuja palavra de ordem resumia-se a criticar, criticar e criticar não poupando sequer as próprias mazelas sentimentais.
Mais tarde, o gênero explodiu nas paradas ao aliar melodias assobiáveis à agressividade de raiz punk. As bandas CPM 22 e Primos da Cida são duas herdeiras brasileiras dessa transição, com a vantagem de cantar em português, o que acabou transportando o estilo para fora do circuito alternativo.
As duas bandas tocam hoje em Londrina, a partir de 20 horas, no Ginásio Moringão. CPM 22 vem de Santos (SP). Estreou há dois anos no mercado com um CD independente. Fisgou o público com canções de apelo pop sobre amores e revoltas juvenis. A banda é formada por Badaui (vocal), Wally (guitarra), Luciano (guitarra), Portoga (baixo) e Ricardo (bateria).
O segundo e mais recente CD, ''Chegou a Hora de Recomeçar'', trouxe o hit ''Dias Atrás'' e um punhado de faixas radiofônicas como ''Desconfio'', ''Vidas que se Encontram'', ''Especial como Você'' e ''Sonhos e Planos''. Além de Londrina, o quinteto paulista faz mais dois shows neste final de semana no Paraná: amanhã em Pato Branco e domingo em Foz do Iguaçu.
A Primos da Cida, por sua vez, sobressai na cena roqueira local pelo profissionalismo com que conduz seu trabalho. Foi criada há seis anos. Já tocou para quinze mil pessoas como participante do festival Skol Rock. Já teve videoclipe exibido pela MTV e pelo canal pago Multishow. Tem três CDs lançados: ''Sobre o que Não Tem Volta'' (1998), ''Quem se Importa?'' (coletânea, 2001) e ''Nitroglicerina'' (2002).
É formada por Negão (vocal), Jones (vocal e guitarra), Alexandre (guitarra), Rafael (baixo) e Zé (bateria). Eles começaram tocando influenciados pelo hardcore californiano de bandas como NOFX e Pennywise e também pela mistura rítmica promovida pelos Raimundos. Hoje, enfatizam o hardcore sem deixar de incorporar fraseados de reggae, ska e até samba nas composições.
''Nitroglicerina'', o último CD, foi produzido por Jeff Molina (baterista da banda paulistana Hip Monster) em parceria com os irmãos Ângelo e Luciano Galbiati, ambos de Londrina. As gravações foram feitas no estúdio Be Bop, em São Paulo, com verbas captadas através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
O repertório, homogêneo, revelou uma novidade nas letras: mensagens de cunho político-social, até então ignoradas pelo quinteto. Ainda divulgando o terceiro CD, o grupo já anuncia seu novo projeto: a gravação de um disco ao vivo. A data foi marcada para o dia 7 de setembro, no Todas as Tribos Bar, em Londrina. O ingresso deverá ter o preço simbólico de R$ 1,00.
Na ocasião, deverão ser gravadas cerca de 20 músicas, com a possibilidade de duas inéditas. Algumas canções serão escolhidas pelos fãs-internautas, que ajudarão o grupo na escolha do repertório do show. A pesquisa já está no ar no site oficial (www.primosdacida.com.br). As dez mais votadas pelo público entrarão no disco. As demais serão pinçadas pela banda.
Após o show de hoje, os Primos da Cida fecham a semana tocando amanhã em Teodoro Sampaio (SP) e domingo em Jataizinho (a 23 km de Londrina).
Serviço:
- Show com a banda CPM 22 com abertura da banda londrinense Primos da Cida. Hoje, às 20 horas, no Ginásio de Esportes Moringão, em Londrina. Ingressos a R$ 20,00 (estudantes pagam meia entrada), nas lojas Pura Mania.


