A cena rock independente de Curitiba abre espaço nesta segunda-feira para as guitarras clássicas portuguesas do grupo Madredeus. Teresa Salgueiro, Pedro Ayres Magalhães e companhia sobem ao palco do Estação Embratel Convention Center pelo primeiro dia da turnê brasileira ''Um Amor Infinito'', iniciada em Portugal já há um ano.
Além da capital paranaense, os músicos também levam a sonoridade de quase duas décadas de carreira a Porto Alegre, amanhã, no Teatro do Sesi, e a São Paulo, onde tocam dia 8 na casa de espetáculos Via Funchal, na Vila Olímpia.
''Os Madredeus'', como são chamados em Lisboa e entre eles próprios, voltam ao Brasil após um intervalo de quase três anos e meio. Em maio de 2002, Teresa e os companheiros de banda se apresentariam em São Paulo apenas dois dias, mas a insistência dos fãs brasileiros levou a organização da turnê de promoção do então recém-lançado álbum ''Movimento'' a esticar a passagem pelo Brasil para um show extra.
Desde então, os portugueses lançaram mais dois álbuns: ''O Amor Infinito'', tema da turnê 2005/2007, e ''Faluas do Tejo'', gravado em Lisboa em fevereiro deste ano. A referência à cidade natal, por sinal, não se resume à locação do disco: está implícita ou anunciada na maior parte das dez faixas que o compõem ''Adoro Lisboa'' e ''Lisboa Rainha do Mar'' que o digam.
O Madredeus foi formado em 1986, quando um grupo de músicos e uma jovem Teresa se reuniam em uma ala do antigo Convento de São Francisco, no bairro da Madredeus de Xabregas, em Lisboa o hoje transformado Teatro Ibérico. Ensaiavam à noite, entusiasmados com o som daquele espaço e com os resultados que iam obtendo. Os frutos começaram a surgir em 1987, com o primeiro CD, ''Os Dias da Madredeus''. De lá para cá, já são cinco turnês, em mais de 800 apresentações mundo afora. No Brasil, o boom aconteceu em 2001, com faixas acrescidas à trilha sonora da minissérie global ''Os Maias'', adaptação da obra de Eça de Queiroz.
O tom saudoso do fado português combinado com toques de contemporaneidade (saiu o acordeão, entrou o sintetizador) foi amadurecendo e ganhou contornos universais; afinal, do Brasil ao Japão os fãs dos Madredeus se acostumaram com o saudosismo da banda. Hoje, é dia de reforçar esse hábito.

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