Dia 19 de janeiro próximo completam-se 25 anos da morte de Elis Regina, uma das maiores intérpretes da música popular brasileira. As homenagens já começaram com o lançamento de um box que traz um CD com a versão remasterizada e remixada do disco ‘‘Elis’’, de 1980, e um DVD com a última entrevista da cantora a um canal de TV, em 1982. A responsável pelo box é a gravadora Trama, de João Marcello Bôscoli, filho da cantora com o produtor Ronaldo Bôscoli. ‘‘Eu não imaginava que lançaríamos este disco este ano. Foi um pouco circunstancial. Conseguimos negociar o relançamento com a EMI, responsável pelo LP’’, explica Bôscoli. No trabalho de restauração, a equipe se preocupou em manter a sonoridade original do LP.
  A única modificação foi que as faixas ganharam alguns segundos a mais, já que o formato vinil não permitia que se gravasse mais de 20 minutos de cada lado. Elis já havia gravado um álbum duplo em 1980. No final do ano, como estava devendo por motivos contratuais um LP para a EMI, lançou Elis. ‘‘Acho que é um disco que tem um clima de Réveillon. É alegre, sem ser escapista. Representa um bálsamo para as perseguições que artistas como ela sofreram na década de 1970’’, conta João Marcelo, que lembra que até mesmo ele era vigiado na saída da escola durante os anos de chumbo da ditadura.
  No início de 2007, a Trama deve lançar uma caixa especial em formato de LP com o CD e o DVD , além de cópias de matérias de jornais que saíram na época, o programa e o cartaz do show ‘‘Trem Azul’’, fotos, e outras surpresas.
  Ainda para 2007, está programada a reedição de ‘‘Falso Brilhante’’, de 1976, e mais dois discos da década de 70. ‘‘Nessa época, ela tinha tomado as rédeas de suas carreira’’, comenta Bôscoli.
  Outra boa surpresa do box é a entrevista que Elis concedeu ao programa ‘‘Jogo da Verdade’’, da TV Cultura, pouco antes de sua morte. Comandado pelo jornalista Salomão Esper, o programa trouxe uma Elis confiante e lúcida sobre seu papel na MPB ao responder às perguntas dos jornalistas Zuza Homem de Mello e Maurício Kubrusly, que estavam nos estúdios.
  Mostrando seu lado ‘‘Pimentinha’’, apelido que ganhou por causa do temperamento forte, ela fala sobre seu primeiro disco, ‘‘Viva a Brotolândia’’, quando foi contratada pela Continental para ser uma nova Celly Campelo e critica o esquema das grandes gravadoras. ‘‘Hoje está mais difícil fazer um disco. A prepotência ganhou outros nomes, como marketing e merchandising’’, alfineta a cantora, em uma entrevista profética.
  Ainda dentro da gravadora Trama, descansa um Mini-DVD com um documentário de seis horas de duração com depoimentos de músicos, compositores e amigos sobre Elis Regina. Não há previsão para seu lançamento, que esbarra na burocracia das autorizações de uso da imagem da cantora.
  O responsável pelo filme é o produtor cultural mineiro Allen Guimarães, que trabalha na gravadora desde o início deste ano. ‘‘Sempre fui fã da Elis e comecei a filmar o documentário em 2003. Fiz entrevistas com 42 pessoas que conviveram com ela, entre os quais, Ivan Lins, Sérgio Motta e João Bosco’’, explica Allen, que não contou com qualquer tipo de patrocínio para a produção.
  Neste momento, ele aguarda a autorização de jornais e TVs para usar as imagens de época e assim lançar o documentário. ‘‘Há depoimentos que desmitificam episódios ainda nebulosos, como a da suposta briga com Hermeto Pascoal no Festival de Montreux e sua atuação política pelos direitos dos músicos’’, conta Guimarães.

SERVIÇO
- Box ‘‘Elis - Edição especial’’, lançamento da gravadora Trama. Preço sugerido: R$ 54,90

mockup