O universalismo da obra de Egberto Gismonti inspira gerações. A exclusão pelo mercado fonográfico, que mantém a música instrumental à margem da mídia, é incapaz de abafar o interesse dos jovens pelo repertório do compositor. Prova disso é o concerto-tributo que um grupo de músicos curitibanos presta ao artista hoje, a partir de 10h30, no Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina.
A apresentação faz parte da série ''Concertos Matinais'', um projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina coordenado pela professora Magali Kléber. ''O Gismonti é uma das referências mais fortes da música instrumental brasileira, embora não tenha a atenção que mereça em seu próprio país. Ele é um exemplo de que às vezes é difícil ser brasileiro no Brasil'' diz o saxofonista Hélio Brandão.
Hélio sobe ao palco ao lado de Sérgio Justen (piano), Glauco Söolter (contrabaixo elétrico) e Endrigo Bettega (bateria). As composições escolhidas para compor o progama revisitam toda a discografia do homenageado abrangendo peças como ''Maracatu'', ''Sanfona'', ''Don Quixote'', ''Água e Vinho'', ''Café'', ''Lôro'', ''Karatê'', ''Palhaço'', ''A Fala da Paixão'' e ''Frevo''.
O repertório do concerto inclui ainda ''Ainda não tem Nome'', de autoria do próprio saxofonista curitibano, e ''Domingo no Sítio dos Nakashima'', do compositor paulista Benjamin Taubkin, ambas guardando afinidades com as composições de Gismonti. O show já foi apresentado algumas vezes em Curitiba com formações diferentes. ''Já fiz com baixo acústico, o que permitiu uma outra visão do repertório'' conta Brandão.
Ele lembra que, há três ou quatro anos, já dividiu um palco com Gismonti. Na ocasião, tocava numa orquestra sinfônica formada a partir do projeto ''Tom Brasil'', que viajava pelo país convidando um músico (ou grupo) instrumental de renome a cada mês para ser solista nas apresentações. Um dos convidados foi o mestre, que subia aos palcos acompanhado pelo baterista Zeca Assunção e pelo violonista Nando Carneiro.
''Tive essa oportunidade de conhecê-lo. Conversamos muito. Pude conhecer um outro lado dele'' diz. Brandão é um dos fundadores da Orquestra de Câmara de Blumenau com a qual fez três turnês internacionais apresentando-se em países como Áustria, Alemanha, Suíça e Checoslováquia. Em Curitiba, tocou violoncelo no conjunto da Família Brandão, na Orquestra Juvenil e na Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Paraná.
Foi também contrabaixista da Camerata Antiqua. Há anos vem participando de concertos, shows e festivais de jazz no Brasil e Europa ao lado de nomes como Milton Nascimento, Hermeto Paschoal, Robertinho Silva, Raul de Sousa, Nivaldo Ornellas, Mauro Senise e Alaíde Costa. Desde o ano passado, é diretor artístico da Oficina da MPB de Curitiba.
Sérgio Justen, por sua vez, atua como pianista e arranjador na Orquestra do Conservatório de MPB de Curitiba regida por Roberto Gnattali, além de ser arranjador e integrante do grupo Allegro ma non Presto, escrever arranjos vocais para o Coral de MPB da UFPR e ser professor de harmonia, instrumentação e orquestração e piano na Faculdade de Artes do Paraná (FAP). Em 1999 lançou seu primeiro CD ''Novos Ares'', que reunia 16 composições próprias.
O contrabaixista Glauco Solter, por sua vez, lançou seu primeiro CD solo em 1994. Lançou também o vídeo-aula ''Slap Brasil''. Agora está lançando seu novo CD ''Fala Baixo''. Já acompanhou diversos nomes da música brasileira, entre eles Robertinho Silva, Mané Silveira, Carlos Malta, Badi Assad e Nelson Ayres. O baterista e percussionista Endrigo Bettega completa o time ostentando no currículo uma extensa lista de apresentações no exterior, onde morou vários anos.
Chegou a tocar no Festival de Montreux de 1992, acompanhando o saxofonista Paulo Moura. Participou ainda do Festival de Veneto Jazz 2001 e do Festival Latino de Milão 2001. Segundo Brandão, um dos projetos do grupo é conseguir apoio da Secretaria Estadual de Cultura para levar o show-tributo a outras cidades, não só do Brasil mas também para fora do país. ''Na Europa, a música de Gismonti tem muita receptividade'' sublinha ele. O concerto tem entrada franca.


Serviço:
- Concerto ''Tributo a Egberto Gismonti'', com os músicos Hélio Brandão (saxofonista), Sérgio Justen (piano), Glauco Söolter (contrabaixo elétrico) e Endrigo Bettega (bateria). Hoje, às 10h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85), em Londrina. Entrada franca.

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