MÚSICA - Domingo de violão e percussão
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sexta-feira, 23 de maio de 2003
Nelson Sato<BR>Reportagem Local 
Nada de fast-food para os tímpanos. O melhor programa musical reservado amanhã para os londrinenses traz os timbres do violão e da percussão à temporada-2003 do projeto Concertos Matinais.
O cardápio instrumental será servido no Teatro Crystal, pelo violonista carioca Ulisses Rocha e pelo percussionista niteroiense Renato Martins. A apresentação começa às 10h30, com entrada franca.
Renato abre o show mostrando composições de seu CD Indaiá, lançado no final do ano passado pelo selo Lua Discos. Com formação acadêmica em Composição, Regência e Harmonia Popular, o músico destacou-se em 1998 quando foi finalista do 1º Prêmio Visa de MPB Instrumental, em São Paulo.
Na ocasião, recebeu elogios da crítica especializada, que o considerou um renovador da percussão brasileira por desenvolver técnicas diferenciadas para instrumentos já tradicionais como a moringa (vaso de barro) e incluir a bandeja de aço e outros objetos do cotidiano em seu trabalho.
Antes, havia morado três anos na Inglaterra onde mergulhou no jazz e na música étnica tocando com artistas de renome como o mestre tablista Sarvar Sabri, o saxofonista Andy Hamilton e o percussionista Nana Tsiboe (de Gana). Ulisses Rocha, por sua vez, viu seu prestígio crescer na virada dos anos 70 para os 80, quando integrou o grupo DAlma, trio de violões que inovaria a linguagem do instrumento inspirando a criação do lendário trio formado por John Mclaughlin, Paco de Lucia e Al di Meola.
Nascido no Rio de Janeiro, ele morou em Pirassununga e Santos onde começou a tocar guitarra, o que seria determinante para construção de seu estilo. Mais tarde, ingressou no CLAM, o célebre Centro Livre de Aprendizagem Musical fundada pelo Zimbo Trio no qual ampliou seu repertório absorvendo conhecimentos em teoria, harmonia e improvisação.
Foi ali, onde voltaria depois para lecionar, que conheceu André Geraissati aceitando o convite deste para entrar no DAlma. A decisão projetou seu nome no exterior ao levá-lo a participar, já como trio, de diversos festivais internacionais de jazz pelo mundo incluindo os de Nova York, Paris e Montreal. O DAlma gravaria três álbuns, dois deles trazendo seu nome nos créditos. Posteriormente, Ulisses passou a integrar o grupo Prisma, comandado pelo tecladista e arranjador César Camargo Mariano. Daí, iniciou a carreira solo firmando-se como uma referência para jovens músicos e como colaborador freqüente em discos e shows de artistas como Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti, Gal Costa, Roberto Carlos, Toquinho, Heraldo do Monte, Cida Moreira, Vânia Bastos e Marco Pereira.
Ao longo dos anos, ele atuou ainda como concertista tocando com as orquestras sinfônicas de Campinas, Americana e a Jazz Sinfônica. Prosseguiu também com as atividades didáticas ministrando cursos em festivais, além de paralelamente ao trabalho artístico compor e executar jingles e trilhas na área de publicidade. Indicado duas vezes para o prêmio Sharp nas categorias de melhor música instrumental e melhor solista, Ulisses já lançou 6 CDs, 3 fitas de vídeo e um livro.
Em Londrina, ele vai mostrar canções de sua autoria como Moleque, Mundo Azul e Última Hora, além de composições alheias como Água de Beber de Tom Jobim; Ponteio de Edu Lobo; e Bye Bye Brasil de Chico Buarque e Roberto Menescal. O projeto Concertos Matinais tem coordenação geral da musicista Magali Kleber e conta com o patrocínio exclusivo da Copel, através da Lei de Incentivo à Cultura do MINC.


