A frase ''Toca Raul!'' tornou-se um bordão bem-humorado no circuito boêmio de shows e festas em todo o País. O músico Marquinhos Diet nunca precisou se esforçar para atender os pedidos da platéia. É que durante um bom tempo, em Londrina, ele cantou o repertório de Raul Seixas atuando quase como um artista-cover.
Hoje, a idolatria pelo Maluco Beleza foi suplantada pelo culto a Chico Buarque, a quem Marquinhos planeja homenagear com um show especial brevemente. Sua motivação para subir ao palco, entretanto, é cada vez menos a de interpretar canções de seus ídolos e mais a de mostrar músicas de sua própria autoria.
É o que ele pretende intensificar nesta temporada, já que seu novo CD acaba de sair dos fornos. ''Quero lançá-lo em Londrina com um show no Bar Valentino, em março, e talvez com um show no Anfiteatro do Zerão ao lado do músico Roberto Oliveira (que também está com CD novo na praça)'' anuncia, ainda sem datas definidas.
O disco, intitulado ''Lagartas'', foi gravado no estúdio londrinense Áudio Sonora, comandado pelos irmãos Angelo e Luciano Galbiatti, ex-integrantes da extinta banda Madera. É seu terceiro CD, embora ele renegue o primeiro. ''O novo trabalho está melhor acabado. Foi feito com mais critério e profissionalismo. Tive mais tempo para preparar o repertório e escolher os músicos, instrumentos e arranjos'' diz.
O parto foi demorado. O álbum levou dois anos para ser gravado. ''Eu fui pagando as horas de estúdio aos poucos'' conta. ''O Angelo e o Luciano estavam começando a trabalhar na parte de produção. Estavam aprendendo a mexer com as técnicas de gravação. E eu servi de cobaia. E foi prazeroso ser um cobaia, porque éramos amigos e eu conhecia o potencial deles. Desenvolvemos o disco sem pressa. O resultado agradou a todos nós.''
O disco conta com a participação dos músicos Fernando Gouveia (guitarra), Fernando Stelzer (baixo e violão), Zé Roberto (bateria), Malagutti Sodré (percussão), Paulo Siqueira (sax), Eric Mago (flauta), Edinho (acordeon), Kélen Franco (backing vocal) e Sabrina Vargas (backing vocal). Os irmãos Galbiatti também colaboraram tocando guitarra e teclados.
O artista assina todas as faixas, duas delas em parceria uma com o jornalista e escritor londrinense Paulo Briguet (''Autocrítica'') e outra com a carioca Mathilda Kovak (''O País dos Milionários''). O repertório tem apelo radiofônico, variando entre canções de levada pop, romantismo baladeiro e mix de estilos (como o groove afunkalhado em ''Minha Cabeça é Minha'' e os ritmos nordestinos presentes na faixa-título e nas canções ''Vigia'' e ''O País dos Milionários'').
Ele conta que sua linguagem musical foi moldada a partir das influências que recebeu desde criança quando ouvia música caipira no sítio e cantava música religiosa na igreja. Mais tarde, já na adolescência, descobriu Raul Seixas e posteriormente Ednardo, Sérgio Sampaio, Tom Zé, Nei Lisboa, Kátia de França, Chico Buarque, Lou Reed, Pink Floyd, Bjork e outros de uma longa lista.
Morando há dois anos em Paranavaí, cidade dos pais, Marquinhos viveu quase uma década em Londrina depois de passar no vestibular para Jornalismo da UEL. Não concluiu o curso, mas destacou-se como músico chegando a vencer uma das edições da mostra ''MPB Londrina'' festival organizado nos anos 90 por Marcelo Camargo, hoje proprietário do Bar Brasiliano.
Em 1994, venceu também o FestValda, evento nacional promovido pela fabricante de pastilhas Valda. O prêmio era a gravação de um CD e de um clipe (dirigido pela cineasta Tizuka Yamazaki), o que o levou para o Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos. O que parecia um sonho realizado tornou-se logo um pesadelo. ''O CD é ruim, não gosto nem de mostrá-lo'' confessa.
''Gravei sem estar preparado, sem ter repertório e sem saber o que queria. Fiquei perdido no Rio, sozinho, sem grana e convivendo com pessoas ávidas pelo sucesso a qualquer custo. Fui ao inferno e abracei o capeta. Tudo isso me sufocou e me fez retornar ao Paraná''. De volta a Londrina, continuou se apresentando no circuito de bares.
Em 2001, lançou o CD ''Habitantes do Planeta'', trazendo o registro ao vivo de um show no Bar Valentino. No mesmo ano, mobilizou os artistas locais ao realizar um protesto no Calçadão queimando um violão para mostrar sua indignação em relação à lei municipal que proíbe execução de música ao vivo após 23 horas.
A impossibilidade de tocar foi um dos fatores que o obrigaram a fazer as malas e voltar para sua cidade natal, onde apresenta um programa numa rádio FM e estuda História na Faculdade local. ''A partir daqui, vou fazer contatos e preparar uma turnê nacional para promover o CD'' avisa. Segundo ele, a Internet quebrou barreira facilitando a divulgação do trabalho.
''A questão agora é outra: é saber 'o quê' você tem para mostrar. E no meu caso, acredito que estou com um disco maduro, bem gravado e dentro dos padrões da indústria'' enfatiza. O CD chega ao público com uma tiragem de 1.000 cópias, cuja metade será enviada para a distribuidora nacional Trattore. Uma outra parte será enviada para rádios, jornais, TVs e sites. Os exemplares restantes serão comercializados durante os shows. Os interessados podem conferir as faixas acessando o site www.tramavirtual.com.br.

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