MÚSICA - Dentro da média
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terça-feira, 14 de outubro de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O novo álbum dos Strokes só chega às lojas na próxima semana, mas elegê-lo o ''disco do ano'' já virou exercício trivial na Internet, onde a troca de arquivos musicais difunde as faixas inéditas há pelo menos duas semanas.
O festejado quarteto de Nova York, porém, nem precisava gravar outro discaço como seu trabalho de estréia para disparar na dianteira. A verdade é que parece não haver concorrentes para os caras, tal a ausência de lançamentos impactantes, daqueles que façam o sujeito convocar uma assembléia de amigos para ouvir o bagulho em primeira mão.
A banda Grandaddy, por exemplo, está com um disquinho razoável nas prateleiras. Mas ''Sunday'' (Sum Records), que foi elogiado aqui e ali na imprensa, não passa de uma coleção de canções medianas e acessíveis até para quem não é iniciado no universo indie. A atmosfera é de bucolismo e melancolia, traduzida em melodias digeríveis e calcadas em guitarras comportadas e teclados suaves.
Nas primeiras faixas, a impressão é que estamos diante de um trabalho-solo de Black Francis, mais domesticado do que o habitual. O herói alternativo Lou Barlow é outro que desapontou nesta temporada. Líder do Sebadoh e de projetos paralelos como Sentridoh e The Folk Implosion, ele volta ao mercado com o CD ''The New Folk Implosion'' (Trama), cujo título aponta para a nova formação de uma de suas bandas.
Agora ele é acompanhado pelo guitarrista Imaad Wassif e pelo baterista Russ Polard, que substituíram ao multiinstrumentista John Davis. Se a mudança serviu para alguma coisa, foi para afugentar a inspiração de Barlow. O que se ouve é ainda o que se costuma chamar de ''rock alternativo'', mas a empolgante fusão de beats e guitarras ásperas evaporou.
Com exceção da balada ''Easy'', a última faixa, o CD arrasta-se ao longo de nove composições aguadas nas quais sobressai a qualidade da produção em contraste com o proposital desleixo (a estética lo-fi) que deu fama ao compositor. Não menos decepcionante é ''A.R.E Weapons'' (Trama), álbum de estréia do duo nova-iorquino de mesmo nome e festejado como uma das revelações da cena local.
Combinando electro, punk e rock industrial, A.R.E Weapons foi descoberto por Jarvis Jocker, vocalista da banda inglesa Pulp que os viu ao vivo e recomendou-os para o selo Rough Trade. A dupla Jack e Meg, dos White Stripes, a atriz Wynona Ryder e a modelo Kate Moss também declararam-se fãs da banda. Depois de conquistarem público e crítica com dois singles, entraram no estúdio para gravar o álbum capitaneados pelo produtor Marc Waterman.
Seco e soturno, o resultado chega agora às prateleiras brasileiras na esteira do hype em torno das ''novas bandas'' de Nova York. O repertório traz dez faixas incluindo a faixa-bônus ''NY Muscle'', lançada anteriormente em single. A música de abertura, ''Don't be Scared'', remete à indie dance dos Happy Mondays, só que insuflada por uma atmosfera sombria.
As composições seguintes acentuam o clima dark, com ênfase nos sintetizadores e na poluição eletrônica. Mas o que poderia empolgar num eventual show ao vivo, soa aborrecedor em disco. Que ''Room on Fire'', o novo dos Strokes, caia logo sobre nossas cabeças.


