MÚSICA - De mestre para mestre
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sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O maestro Waltel Branco estava esperando os 100 anos do músico Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, para lançar um disco em homenagem ao compositor. ''Ele não quis esperar'', lamenta o maestro paranaense. Braguinha morreu no último domingo, aos 99 anos, mas Branco não desistiu do projeto. Ele vai gravar um CD, ainda sem título definido, com 12 composições do compositor carioca. As músicas, muitas inéditas e outras que foram lançadas originalmente em discos infantis e que agora ganharão nova roupagem, foram escolhidas pelo maestro. A cantora Norma Ceci também vai participar da homenagem, cantando as canções que serão executadas por Waltel Branco.
O projeto nasceu das conversas de Branco com o próprio Braguinha. Eles eram amigos de longa data. Se conheceram na década de 50, no Rio de Janeiro e desde então não perderam contato. Em 2005, conforme contou Branco à Folha2, bateram o martelo para gravar o disco. ''Só não escolhemos o título porque não gosto de me meter nessas coisas. Eu gosto de tocar'', brinca o maestro. Para participar do projeto ele convidou a cantora Norma Ceci, parceira de alguns shows de Branco. A gravação deve começar no próximo ano, mas o lançamento ainda não foi fechado com nenhuma gravadora.
Apesar de ser desconhecido do grande público, o maestro e violonista Waltel Branco é um dos músicos mais importantes do Brasil e é bastante reconhecido internacionalmente. Tem uma carreira que começa na década de 40 e está associada a diversos momentos e personagens chaves da música. É considerado por João Gilberto como o melhor arranjador de MPB. Recentemente foi lançado o documentário ''Descobrindo Waltel'', dirigido por Alessandro Gamo e que reconstrói a carreira musical do maestro por meio de depoimentos de artistas consagrados.
Os músicos Hermínio Bello de Carvalho, Ed Motta, Sergio Cabral, Roberto Menescal, Durval Ferreira, Dom Salvador, Otávio III e Sergio Ricardo são alguns dos artistas que falam sobre a carreira e a obra do músico. O documentário ficou entre os dez mais votados no Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo (2005), onde conquistou o Prêmio de Aquisição Curta STV e o Prêmio de Exibição no programa ''Petrobras Curta Às Seis'' dos Espaços Unibanco de Cinema.
O projeto mais recente do maestro é o show e o CD ''Alma de Passarinho'', que tem CD homônimo e também conta com a participação de Norma Ceci. O nome do show e do disco é uma alusão ao apelido recebido de Alice Ruiz, para quem Waltel Branco é um ser humano que ''tem alma de passarinho''. O maestro nasceu em Paranaguá, mas se mudou ainda criança para Curitiba. Atualmente se divide entre a capital paranaense e o Rio de Janeiro.
Foi lá que, junto ao compositor carioca, escolheu as músicas que vão integrar o CD. As canções ''Estrela Dalva'' e ''A Vida Não Tem Bis'' vão integrar o repertório, mas o maestro prefere esperar a gravação para divulgar o restante das faixas. O músico ressalta o trabalho de Braguinha e lembra que os dois conversavam muito sobre o tema que mais agradavam ambos: a música.
Braguinha morreu no último domingo, depois de ter sido internado com infecção generalizada. O músico nasceu no Rio de Janeiro em 29 de março de 1907 e também era conhecido como João de Barro. O pseudônimo foi adotado porque seu pai não queria o nome de família ligado à música popular. A musicografia de Braguinha é composta por mais de 500 títulos, muitas marchinhas de Carnaval e também muitas canções infantis. Entre seus sucessos estão ''Chiquita Bacana'' e ''Balancê'', músicas cantadas pelo povo e que já fazem parte do imaginário popular, espaço que Braguinha deve ocupar ainda por muito tempo.


