Curitiba Neste final de semana começa finalmente o tão aguardado segundo semestre roqueiro, cheio de atrações internacionais no Brasil. Pra quem teve que se contentar apenas com o Placebo nos primeiros meses do ano, poderá ver nas semanas que virão trupes como Weezer, The Raveonettes, Strokes, Mercury Rev, Kings of Leon, entre outras. E tudo começa já na próxima sexta e no sábado, em São Paulo, no Campari Rock, com diversos grupos nacionais emergentes, além de The Kills (Inglaterra), Dungen (Suécia), Apside (Estados Unidos), Berg Sans Nipple (França/Estados Unidos), Optimo (Escócia) e a lendária MC5, com três integrantes da formação original.
Tem gente que não conhece e se pergunta a razão pela qual MC5 é uma banda tão especial na história do rock, sem desconfiar que o grupo é tão atual no ''novo rock''. Desde as primeiras canções, os Strokes, que encabeçam a nova tendência desde então, trazem o jeitão desleixado de ser, com rock simples, enérgico e pra lá de contagiante, tão comum na década de 60 e 70. O MC5 é isso tudo mas numa versão mais radical: tinha raízes na contracultura, era formado por um bando de malucos (que levavam ao máximo o trio sexo, drogas e rock'n'roll) e, além do som que misturava rock com jazz e até mesmo o que seria o punk rock, o grupo fazia diversos protestos contra a política norte-americana.
O ''Motor City 5'' (nome baseado em Detroit, cidade natal do grupo, conhecida por sua indústria automobilística), nasceu no começo de 60, quando Wayne Kramer (guitarrista), juntou-se a Fred Smith (guitarra) e Rob Tyner (vocal), um rapaz que curtia bastante jazz e cultura beatnik. Pat Burrows (baixo) e Bob Gaspar (bateria) também integraram a primeira formação e mais tarde foram substituídos por Michael Davis e Dennis Thompson, respectivamente.
Desde o início até o final da década de 60, uma figura em especial se destacou na história do MC5. O empresário da banda, o professor John Sinclair, sempre acabava preso preso devido ao uso de drogas e mais tarde deixou a banda de lado para espalhar suas idéias malucas e transcedentais em comunidades hippie.
Foi ele quem acabou levando o MC5 a participar dos Panteras Brancas, movimento da contracultura norte-americana, e também ao protesto contra a participação do país na Guerra do Vietnã, em 68, em Chicago, durante convenção do Partido Democrata. No episódio, a banda chegou a fugir do local do show devido à violência entre os policiais e os manifestantes.
Engajamento à parte, hits como ''Look at You'', ''Bourderline'', ''Tonight'' e ''Kick Out the Jams'' fizeram dos dois primeiros álbums, ''Kick Out the Jams'' (69) e ''Back in the USA'' (70), verdadeiros clássicos. Com ''High Time'' (72), a banda se esfacelou porque o som já precursor do punk era considerado muito agressivo pelas gravadoras interessadas no até então rock que misturava John Coltrane com Little Richard e Chuck Berry. Os integrantes acabaram se separando e trilharam os caminhos dos excessos e das drogas.
Mais tarde, Wayne Kramer, já recuperado, chegou a lançar três discos pela Epitaph Records, selo de Brett Gurewitz, do Bad Religion. Rob Tyner sofreu um ataque cardíaco fulminante em 91 e Fred Smith, casado com a roqueira Patti Smith, morreu de câncer em 95.
Recentemente, após a reunião e o retorno de diversos artistas da última década pra cá vide Sex Pistols, Dead Kennedys, Pixies, The Cure, Morrissey, Duran Duran, Black Sabbath, Dinosaur Jr., entre outros três integrantes originais que continuam vivos Kramer, Thompson e Davis- resolveram fazer novamente a alegria dos roqueiros. E, no sábado, eles terão o vocalista Mark Arm, do Mudhoney, e o veterano guitarrista Marshall Crenshaw, no lugar de Tyner e Smith.
Antes do MC5, entram ainda o casal inglês do The Kills, que muitos insistem em comparar os fortes riffs produzidos pela dupla com os melhores momentos de Velvet Underground, Patti Smith, Sonic Youth e Stooges. Como destaque nacional, o festival ainda vai contar com Cansei de Ser Sexy, Jumbo Elektro, Mercenárias, entre outras.


PROGRAMAÇÃO


Dia 12


20h - Abertura - DJ José Roberto Mahr
21h - Freakplasma
21h45 - Berg Sans Nipple (França/Estados Unidos)
22h40 - Jumbo Elektro
23h30 - Apside (Estados Unidos)
0h30 - Cansei de Ser Sexy
1h10 - The Kills (Inglaterra)
2h10 - Optimo (Escócia)



Dia 13


17h - Abertura - DJ Paulão (Garagem)
17h45 - Objeto Amarelo
18h30 - Daniel Belleza & Os Corações em Fúria
19h15 - Os Muzzarelas
20h - Autoramas
21h45 - Dungen (Suécia)
22h45 - Irmãos Rocha
23h30 - Los Pirata
0h15 - Mercenárias
1h10 - Forgotten Boys
2h30 - DKT/MC5 (Estados Unidos)

- Os ingressos, vendidos a R$ 60 (dia 12) e R$ 70 (dia13) ainda podem ser obtidos através do www.ticketmaster.com.br, ou através das informações do site www2.uol.com.br/camparirock/home.html. Está proibida a entrada de menores de 18 anos

- A programação se estende aos clubes noturnos da cidade entre os dias 8 e 14 de agosto.

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