MÚSICA - Caixa traz discos de Sandra de Sá
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segunda-feira, 11 de julho de 2016
Julio Maria<br>Agência Estado 
O selo Discobertas, do produtor Marcelo Froes, coloca nas lojas uma importante caixa com quatro discos da cantora Sandra de Sá, de uma época em que ela se chamava apenas Sandra Sá. Importante porque Sandra tenha talvez uma das trajetórias mais intrigantes na música brasileira surgida no início de anos 1980. Ela veio dotada de potencial vocal, entendendo o abrasileiramento do soul e do funk feito por Cassiano e Tim Maia no início da década anterior, mas, curiosamente, não se manteve sobre a prancha pelo tempo que merecia. Caía, subia de novo, e lançava discos com oscilações de qualidade e de direção.
"Sandra de Sá - Anos 80" (Discobertas, R$ 87,90) reúne os álbuns Demônio Colorido, de 1980 (seu primeiro), Sandra de Sá (1982), Vale Tudo (1983) e Sandra de Sá (1984). Um época que antecede o movimento que ela faria em direção ao romantismo pop. A menina neta de avô cabo-verdiano teve em casa as bases de uma estrutura erguida pelo samba e pelo soul. A "Tim Maia de saias" era também uma sambista de criação na quadra da escola Caprichosos de Pilares.
Seu primeiro disco, lançado originalmente pela RGE, vem imerso no molho da influência estética definitiva elaborado pelo tecladista Lincoln Olivetti. Ele não é o único arranjador, mas seu espírito parece flanar sobre todas as 12 faixas. O disco seguinte é "Sandra de Sá", de 1982. O caminho vai sendo tomado aos poucos, saindo do que havia de "orgânico" do disco de estreia e ganhando mais corpo sintético.
"Vale Tudo", de 1983, simboliza a primeira grande explosão comercial de Sandra e sua chegada ao formato definitivo. O seguinte, de 1984, já é feito sob a administração Guto Graça Mello. A faixa-bônus traz um dos maiores sucessos dessa fase de Sandra, "Enredo do Meu Samba", um samba consagrador de Dona Ivone Lara e Jorge Aragão, sucesso na abertura da novela Partido Alto. Um samba que, como ditava o primeiro disco, viria cheio de groove de gafieira.


