MÚSICA - Bob Dylan virá ao País em março
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de fevereiro de 2008
Jotabê Medeiros<br> Agência Estado 
Existem artistas que fazem sucesso. E existem artistas que são influentes. Um artista influente é como um farol apontando o caminho para a geração seguinte no meio de uma tempestade. Eis uma boa definição para Bob Dylan, um dos mais influentes artistas do último século, que chega ao Brasil em março, dez anos após sua última visita (antes, tinha vindo em 1990 e 1993).
Ele fará dois shows em São Paulo (5 e 6 de março) e um no Rio de Janeiro (8 de março, no Rio Arena), dois meses antes de completar 67 anos (a venda de ingressos, que custam de R$ 250 a R$ 900, começaram no dia 1º e vão até o dia 8 para clientes Mastercard e, a partir daí, serão abertas para o público em geral).
Ao mesmo tempo fantasmagórico (é uma espécie de ''Espírito que Anda'' do rock) e vigorosamente vivo, Dylan carrega consigo, para lá e para cá, mundo afora, o testemunho de uma vertiginosa transformação social, cultural, política e estética. Ele ascendeu para o mundo pop nos anos 60, em plena era hippie, em pleno epicentro hipster do Greenwich Village, em Nova York.
Mas ele percebeu claramente o tipo de armadilha que sobreviria se assumisse aquela vertigem comportamental como um tipo de patrimônio ideológico. Sua originalidade consistiria em dialogar (e influir) no mundo sem se deixar aprisionar num arcabouço de ''movimento'' ou gueto. E assim tem sido.
O último show de Dylan no Brasil foi no dia 13 de abril de 1998. Abriu o concerto dos Rolling Stones no Estádio do Ibirapuera. Ele iniciou seu show com ''Absolutely Sweet Marie'', que só o roqueiro Marcelo Nova reconheceu (a reinvenção constante das canções torna até os hits, como ''I Want You'', irreconhecíveis). Foi uma noite estranha: Dylan até sorriu.
Na ocasião, ele estava acompanhado de Larry Campbell e Bucky Baxter (violões e guitarras), Tony Garnier (baixo) e Davis Kemper (bateria). Desses, retorna ao Brasil Tony Garnier, e mais George Recile (bateria), Stu Kimball e Denny Freeman (guitarras) e Donnie Herron (violino, viola, bandolim).
Dylan continua mobilizando grandes esforços de compreensão. Está aí o filme ''I'm not There'', de Todd Haynes, para comprovar. Foi reeditado o lendário documentário ''Don't Look Back'', de D.A.Pennebaker, de 1965. Outra obra incontornável para quem quer saber quem é o artista é ''No Direction Home'', de Martin Scorsese. E também o DVD ''Dylan Speaks - The Legendary 1965 Press Conference in San Francisco'', da única coletiva de imprensa de sua carreira.


