MUSEU VIVO - Por dentro das raízes do Paraná
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Imagine uma cena futurista em que você, ao entrar em um museu, é automaticamente guiado por um cicerone digital, que explica cada foto, ilustração ou peça disposta à sua frente. Isso talvez não esteja tão distante de acontecer e a partir de hoje os visitantes do Museu Paranaense poderão fazer algo bem parecido, com um livro à mão. ''Museu Vivo - Guia Ilustrado da História do Paraná'' remonta a história do estado e tem lançamento logo mais, às 18h30, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
''Museu Vivo'' foi confeccionado em três anos, pela jornalista e escritora Maria Celeste Corrêa e pelo fotógrafo Zig Koch, a partir do acervo do Museu Paranaense, na Capital. ''A idéia de fazer esse livro foi do Zig, conversamos e queríamos escrever a história do Paraná com o acervo do museu (Paranaense), isso há uns quatro ou cinco anos. Depois disso fui visitando o museu, aprofundando e criando uma linha do tempo, pontuando os fatos mais importantes, inclusive de momentos importantes do Brasil e do mundo, que repercutiram no Paraná'', explica a autora.
A pesquisa in loco para que o livro sirva como um guia bem completo sobre a história contada a partir do acervo do Museu Paranaense foi intensa. ''Li muita coisa e tive que passar três meses no museu, casando imagem com o texto, e o museu é muito visitado. Um dia o museu estava vazio e perguntei aos funcionários sobre o baixo movimento e eles me disseram que o museu estava fechado, era uma segunda-feira. Eles disseram que só me deixaram entrar porque eu tinha autorização, mas nem percebi que estava fechado, porque ia todo dia'', diverte-se Maria Celeste.
O livro é rico em ilustrações e conta com informações complementares para ajudar a entender o contexto histórico. ''Em alguns momentos precisamos explicar como consultar o livro e entender os símbolos, porque colocamos informações que complementam a história. Por exemplo, o pelourinho, o que é, para que serve? O que o museu tem a ver com isso? Então a gente explicou, assim como sesmaria e outras coisas'', diz Maria Celeste.
A bela impressão do livro foi realizada para privilegiar as cerca de 400 fotos e 50 outras imagens, entre ilustrações e gráficos. ''O projeto original tinha 88 páginas mas acabou ficando com 112 páginas, que a gente acabou bancando a mais do bolso porque acreditamos no projeto'', comenta Maria Celeste. ''A gente queria mostrar tudo aquilo que está dentro da história, que muita gente nunca deu muito bola. E a imagem encanta e atrai e as imagens são belas, o Zig fez um ótimo trabalho.''
O Paraná tem uma cultura e história heterogênea, com predominância sulista no Oeste e paulista no Norte, em contraste com a colonização alemã, polonesa e ucraniana em Curitiba e região. Um dos objetivos do livro é explicar porque isso acontece e encontrar um ponto em comum entre todas as regiões. ''A ocupação era difícil, o Paraná é um Estado muito grande e o acesso era difícil pela floresta fechada, por isso demorou a acontecer e tem ocupação de 1580 e até de 1960. Além disso, a gente dependia muito do relacionamento de Portugal e Espanha, quando eles eram unidos, quando conviviam numa boa ou quando brigavam'', reflete Maria Celeste.
''O que temos de identidade visual mais forte é a araucária, que é uma coisa muito nossa, do Paraná. A primeira tradição do estado está mesmo no Litoral, o barreado, a dança do fandango, que são as coisas mais antigas do nosso estado'', conclui a escritora.
SERVIÇO
- Lançamento do livro ''Museu Vivo - Guia Ilustrado da História do Paraná'' Quando - Hoje, às 18h30
Onde - Salão de eventos do Museu Oscar Niemeyer, na Rua Marechal Hermes, 999, em Curitiba
Quanto - R$ 70 no lançamento e R$ 80 nas livrarias


