Fachada lateral: aspectos arquitetônicos restauradosAinda que fosse considerado um sábio de seu tempo, Moisés Santiago Bertoni, não poderia supor que fosse precursor de dois fenômenos muito debatidos no final do século 20: globalização e proteção ambiental. Suíço, filho de italianos, com passagem pelo território argentino e vida profissional construída no Paraguai, o agrônomo, metereologista, biólogo e cartógrafo Bertoni foi um amante da natureza, em um tempo em que progresso era muito mais importante que preservação.
O legado deste cientista, que nasceu em 1857 e morreu em 1929, pode ser conferido no Monumento Científico Moisés Bertoni, no município paraguaio de Puerto Franco (fronteira com Foz do Iguaçu).
Reinaugurado no início do mês, depois de três anos de um minucioso trabalho de restauração, o prédio, que foi a casa dos Bertoni e que, desde 1955, abriga um museu, está localizado em uma colina à margem do Rio Paraná, a oito quilômetros ao sul da confluência com o Rio Iguaçu.
Parte da biblioteca e objetos pessoaisOs investimentos, que na fase inicial consumiram US$ 70 mil da ONG Associação Suíça para a Cooperação Internacional, podem chegar a US$ 3 milhões. O ‘‘quintal’’ da casa de madeira e de dois pavimentos é uma unidade de preservação ambiental do governo paraguaio. Os pesquisadores acreditam que de cada dez espécies da reserva, seis são plantas exóticas, ‘‘importadas’’ de vários partes do mundo por Bertoni.
São 199 hectares de mata subtropical, que podem ganhar trilhas remodeladas, identificação de espécies e benfeitorias no acesso rodoviário. As 13 famílias da tribo mbá-guarani que habitam a reserva também receberão obras de melhorias sanitárias. ‘‘Novas verbas dependem do número de visitantes daqui para frente’’, revela Ingrid Bernadin Ca¤iza, coordenadora do projeto de restauração.
Agências de viagens européias receberão farto material de divulgação. ‘‘A figura de Bertoni é amplamente estudada no meio acadêmico suíço’’, informa Ingrid. A expectativa é que se intensifiquem as excursões de jovens europeus, que, ao mesmo tempo, aprimoram o conhecimento histórico e fazem lazer ecoturístico.
O visitante do museu faz uma viagem ao período que compreende as últimas décadas do século 19 e as primeiras do século 20. Bertoni criou um pólo de conhecimento na selva. Mobilizou os filhos para os estudos em vários ramos da ciência, montou uma gráfica de referência internacional e estabeleceu um posto avançado de correios e telégrafos. Colecionou 7 mil livros e centenas de experimentos, além produzir uma ‘‘montanha’’ de manuscritos, entre eles muitas cartas, fruto de um intercâmbio regular com familiares e pensadores europeus. O turista pode conferir tudo isso nas dez salas do museu. As visitas são feitas por grupos limitados devido a fragilidade das instalações.

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