Curitiba - A exposição Tesouros da China e Guerreiros do Xi’an não vem mais de São Paulo ao Paraná para reinaugurar o Museu Oscar Niemeyer (MON), conforme anunciado há dois meses pelo governo do Estado. No lugar da mostra chinesa, para reabrir o pomposo museu, fechado há cinco meses, o governo vai trazer a exposição Novecento Sudamericano, mostra italiana que reúne cerca de 150 obras de 50 artistas italianos, brasileiros, uruguaios e argentinos. A mostra está sendo negociada com o governo italiano e vai custar R$ 167 mil (50 mil euros), excluindo a montagem em Curitiba e a tradução e edição do catálogo da exposição em português. Custo bem abaixo dos R$ 1,8 milhão cotados para trazer os Tesouros da China.
  A primeira-dama e diretora do MON, Maristela Requião, no entanto, não descarta totalmente a vinda dos Tesouros da China para o Paraná. Segundo ela, as negociações foram ‘‘adiadas’’ e serão feitas diretamente com o governo da China. A mostra chinesa veio ao Brasil por intermédio da empresa paulista Brasil Connects. Encerrou em São Paulo no último dia 8 e reuniu 817 mil pessoas, o maior público da história das exposições no País.
  Maristela nega que o alto custo da mostra tenha sido o principal impedimento para o cancelamento da exposição em Curitiba. ‘‘Uma exposição desse porte não poderia ficar armazenada muito tempo porque poderia se deteriorar’’, explicou. A mostra volta para a China na próxima semana e depois cumpre agenda nos Estados Unidos e França. A primeira-dama prevê que com mais um ou dois anos de negociação com o governo chinês as relíquias chinesas possam, finalmente, ser instaladas no MON. ‘‘As negociações vão ficar até mais baratas’’, diz, sem citar custos e comparando a demora com as negociações com a Brasil Connects, que levou um ano para trazer a mostra da China.
  Agora, o governo está investindo na parceria com a Itália e promete abrir a mostra italiana já na primeira quinzena de julho. ‘‘Pode haver imprevistos, mas as obras já foram embaladas e devem chegar em Curitiba ainda esta semana’’, informou a primeira-dama. Essa é a primeira vez que a mostra vem para a América Latina. Além do Paraná, a mostra ainda será exibida em São Paulo e Minas Gerais, numa parceria com esses dois estados.
  A mostra é um retrato do século XX feito por diversos artistas, entre eles os brasileiros Di Cavalcanti (1897 - 1976), Tarsila Amaral (1886 - 1973) e Portinari (1903 - 1962); os argentinos Antoni Berni (1905 - 1981) e Enrique Borla (1900 - 1956); o uruguaio Gilberto Bellini (1908 - 1935) e os italianos Ottone Rosai (1895 - 1957) e Mário Sironi (1885 - 1961). As obras fazem parte do acervo de cerca de 40 instituições italianas.
  Apesar da mostra Novecento Sudamericano ainda não ter data certa para abrir, o governo anunciou algumas certezas que se referem ao museu, como por exemplo, a cobrança dos ingressos para quem visitar o MON nessa e nas exposições futuras. ‘‘Vai ser um preço simbólico, mas assim como os grandes museus do mundo, vamos ter que cobrar ingresso para que as pessoas valorizem ainda mais o espaço’’, justifica a diretora. Além disso, diz ela, a cobrança é uma questão de segurança para as obras e visitantes.
  Outra questão anunciada ontem pela primeira-dama é o fato de o governo estar empenhado para colocar o MON no circuito internacional de exposições que vêm ao Brasil. Já estariam em negociações, mostra do artista plástico Cícero Dias e do escultor italiano Vitor Becheret Filho. ‘‘Mas fazer uma agenda para um museu demanda tempo e assumimos há poucos meses’’, argumenta.

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