O Museu Histórico Padre Carlos Weiss, de Londrina, acaba de receber mais uma doação para seu acervo. O jornalista e restaurador de papel José Paulo Mortari, londrinense que reside em São Paulo, entregou ontem sua coleção de 25 brinquedos antigos, estimada em R$ 10 mil.
Mortari, 45 anos, é filho dos londrinenses Leonel e Tereza Mortari, e neto do pioneiro Amadeu Mortari, que nos anos 40/50 formou um grande grupo de empresas na cidade. Ele conta que, ao fazer a doação, estaria ‘‘pagando’’ uma dívida cultural com Londrina, onde passou sua infância. ‘‘Depois que vi a revitalização, resolvi também pagar uma segunda dívida com minha irmã, Helenice Mortari Dequech, que é da Sociedade de Amigos do Museu’’, diz. ‘‘Eu prometi que, se ela mobilizasse a sociedade, os filhos de pioneiros e as autoridades para trabalhar nessa revitalização, eu doaria minha coleção’’, afirma.
A intenção de Mortari é, também, sensibilizar as pessoas a fazer outras doações. ‘‘Deve haver muita gente com objetos guardados que têm valor histórico’’, observa.
Os brinquedos foram adquiridos por Mortari ao longo de sua vida, sem a intenção inicial de colecioná-los. São bonecas, carrinhos (inclusive um modelo Ford e uma Ferrari), bonecos de madeira e brinquedos mecânicos. O mais antigo deles é uma boneca de porcelana do final do século passado, que, apesar de ter sido achada num lixo de São Paulo, tem um elevado preço no mercado. Assim como o robô à pilha e o macaco que toca um instrumento musical. ‘‘A maioria desses brinquedos são americanos e japoneses, datados dos anos 40 e 50’’, lembra.
A coleção de Mortari traz também os bonecos Barbie e Ken da década de 50, além de outros da mesma família - todos com modelos bem diferentes dos encontrados atualmente nas lojas. Algumas das peças pertenceram à irmã do jornalista, Vera Lúcia.
José Paulo Mortari doou, ainda, quatro obras de seu acervo pessoal ao Museu de Artes de Londrina. São esculturas dos artistas contemporâneos brasileiros Emanuel Araújo, Maria Bonomi, Calabrone e Sara Kauffman. ‘‘São peças que comprei ou ganhei dos próprios artistas e agora estou doando a Londrina’’.
Jornalista há 25 anos, Mortari também se especializou em restauração de papel pelo Senai. Atualmente, trabalha com jornalismo empresarial e presta serviços como restaurador ao Museu Paulista.
Vale ressaltar que o Museu Histórico se interessa por todo o acervo que esteja ligado ao processo de colonização, ao cotidiano dos londrinenses que participam do desenvolvimento da cidade, e que possa resgatar e preservar a memória de Londrina.

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