Longe das danças populares e das brincadeiras, mas ainda na cidade, um programa cultural que tem tudo a ver com forró é a visita ao Museu Luiz Gonzaga, em Campina Grande, criado em 1995 por um fã e amigo do cantor e compositor nordestino. Numa casa simples, José Nobre de Medeiros, de 58 anos, reuniu fotos, livros, revistas e jornais que falam sobre o ‘‘Rei do Baião’’. O museu tem letras de músicas, biografias, roupas e até a harmônica de Gonzagão, conhecida como fole de pé-de-bode, que foi do pai do cantor.
Vale a pena dar uma passada lá e conhecer algumas curiosidades sobre a vida do homem que se tornou um dos maiores ícones da cultura nordestina e saber que ele tocava zabumba aos 8 anos e que em 1936, quando já havia entrado no Exército, Luiz Gonzaga foi reprovado para ser o sanfoneiro do quartel, pois não sabia ler partitura. Mas a pérola do lugar é o acervo fonográfico, com 5 mil discos, entre vinil, CDs, discos de 78 rpm e vídeos.
Saindo de Campina Grande e depois de uns 25 minutos de estrada, chega-se a cidade de Fagundes, onde encontra-se a Pedra de Santo Antônio. E não é pela imponência dos seus 17 metros de altura nem pela paisagem que a cerca que a pedra é famosa. Diz a lenda que quem passa pela fenda que existe embaixo da rocha não tarda em casar. Obra do santo casamenteiro, cujo nome batizou o lugar.
Segundo seu Francisco Felisberto da Silva, de 85 anos, que é herdeiro das terras onde se encontra a pedra, é só pedir, e passar pela estreita fenda, que o santo arranja casamento. ‘‘É impressionante. Eu mesmo fico surpreso com as coisas que acontecem por aqui’’, diz ele.
Quem pára na vendinha de seu Felisberto para comprar fogos de artifício ou beber alguma coisa é recepcionado com a história sobre a origem do nome do lugar milagroso que virou ponto turístico, contada com todos os detalhes.
Aos pés da pedra, a família de seu Felisberto construiu uma capela e um depósito de milagres onde ficam guardados todos os objetos de agradecimento dos devotos. O que mais se vê são vestidos de noiva, buquês e fotos de casamentos deixados pelas ex-solteiras.
Mas se o seu negócio não é casar e sim se divertir até não poder mais o passeio ideal é o Trem do Forró, que vai de Campina Grande até o distrito de Galante. Fique atento para não perder essa peculiar atração. Ela só ocorre neste final de semana (sábado e domingo) e a fila de espera é grande.
A animação forroviária já começa na Estação Velha da cidade onde barraquinhas com comidas típicas e trios de forró esperam a chegada dos turistas. O trem parte logo cedo, às 9h. Os sete vagões enfeitados ficam lotados. Ao todo, são 900 pessoas saculejando no balanço do trem e no ritmo do forró.
É preciso ter fôlego e muito equilíbrio para se aventurar nesse São João sobre os trilhos, pois a brincadeira dura quase um dia inteiro.
Chegando a Galante, há um mini-arraial montado no mercado público e nas ruas, onde o que não falta é comida e música. A farra na cidade vizinha dura até 15h, quando o trem do forró começa a voltar para atingir Campina Grande por volta das 16h30. Mas nada de ficar sentado. Nos vagões não há bancos. O espaço ali é reservado para dançar.

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