Museu no Rio guarda o acervo da Pequena Notável
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segunda-feira, 02 de agosto de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 03 (AE) - Meio escondido em frente do Morro da Viúva, no Flamengo, endereço nobre na zona sul do Rio, fica o Museu Carmem Miranda, que guarda o acervo da Pequena Notável, de roupas de cena e pessoais (às vezes, as mesmas) a contratos, cartas e até objetos da casa dela. O espaço é pequeno, mas tem história. O projeto é do arquiteto Affonso Eduardo Reidy (o mesmo do Museu de Arte Moderna do Rio), inspirado em Le Corbusier. Lá ficam mais de 3 mil peças e o museu recebe mensalmente cerca de 300 visitantes, a maioria estrangeiros.
O acervo foi doado pela família de Carmem Miranda logo após a sua morte, em 1955. No ano seguinte, o museu foi criado por lei, mas a inauguração só ocorreu 20 anos depois, em 1976, pelo então governador, Faria Lima, do recém-criado Estado do Rio. A exposição permanente é pequena, mas ilustrativa. Lá estão trajes que ela usou em shows e filmes. Como por contrato ela ganhava a roupa depois de encerradas as filmagens ou a temporada
muitas delas eram usadas pela cantora em sua vida pessoal. É o caso de um penhoar de renda negra, do filme Copacabana, que qualquer mulher adoraria usar.
Quem visita o museu fica sabendo que Carmem Miranda, a cantora, não era um personagem separado da mulher que encantou o Brasil e depois os americanos. Mesmo em seus objetos pessoais, ela tinha a marca registrada, que seria exagero ou kitsch, se não fossem da Brazilian Bombshell. Sua brejeirice aparece até nas frases espalhadas pelo museu. Um exemplo? "Mais carinhoso ainda que um beijo é um abraço bem dado em uma pessoa que você ama. Já notou como sei dar abraços gostosos?"
Fãs ou empresas contribuem para a a restauração de peças do acervo, doando o dinheiro correspondente à Associação dos Amigos do Museu Carmem Miranda. Foi o caso da gravadora BMG, primeira a contratar a cantora, de 1930 a 1935, quando ainda era RCA Victor, que adotou uma baiana estilizada, usada em seu último show, no Palladium, de Londres. Ou da turista americana Nancy Hartstein, que adorou um turbante feito de pequenas sobrinhas de frevo, usado no filme Nancy Goes to Rio. Se depender dos fãs, Carmem Miranda é mesmo imortal.


