San Pedro de Atacama - Mesmo sob críticas, a visita ao museu é parte indissociável da viagem ao Atacama. O acervo está disposto de maneira circular. Ao centro, há uma simulação de escavação arqueológica. E há muita informação para ser coletada em meio a esqueletos e artefatos indígenas. O ingresso custa 2 mil pesos chilenos por pessoa (R$ 9,20).
É interessante observar que a estratificação fazia parte da organização social dos povos atacamenhos. Uma das evidências é que se moldavam os crânios para determinar a que grupo social cada indivíduo pertencia. A roupa era outro indicador: as feitas com lã de vicunha eram usadas pelos nobres. As de lhama eram mais populares (até hoje, aliás, as peças mais caras são as de vicunha).
Mais um aspecto curioso, e cientificamente constatado, é a cultura do alucinógeno. Do cacto de San Pedro, por exemplo, os indígenas atacamenhos extraíam a mescalina, uma substância de alto poder de entorpecimento. Um parêntesis: muita gente vai ao Atacama em busca do tal cacto, que cresce no deserto e também é cultivado em casa pelos moradores.
Diz a história que os povos atacamenhos eram afeitos a festas e celebrações de cunho religioso. Nelas, o consumo de substâncias alucinógenas fazia parte do ritual. Esses animados eventos eram também regados a ''aloja'', um tipo de bebida destilada cuja graduação alcoólica batia em 70 - a do uísque fica em torno de 40.
Impressiona o estado de conservação das múmias em exposição. Pois é, os atacamenhos também desenvolveram uma técnica de mumificação. Eles acreditavam que dessa forma poderiam conservar a alma dos mortos. Algumas múmias, com mais de 2 mil anos, transmitem a incômoda sensação de dor e desespero.
Outro destaque da exposição fica por conta da chegada dos tiahuanacos e, posteriormente, dos incas. Nesse momento, os atacamenhos experimentam um enorme desenvolvimento cultural, no artesanato e na agricultura.

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