O passado parece que foi outro dia, mas para que o futuro não o esqueça prescinde de memória. Espaços como os museus são praças onde o tempo e os seus personagens se encontram novamente para contar as suas histórias.
Um encontro que somente é possível com projetos como o da criação do Museu da Sociedade Rural do Paraná (SRP), que apesar de antigo, somente começou a ser viabilizado há um ano e meio.
Hoje, às 17h, no Recinto Soiti Taruma, no Parque de Exposições Governador Ney Braga, o projeto arquitetônico, da arquiteta Denise Canabrava, e o balanço financeiro de adesão e o cronograma de execução serão apresentados.
A intenção da equipe é de que até o final da atual gestão, em 2010, que tem como presidente Alexandre Kireeff, o museu esteja aberto à visitação pública. O museu será instalado no prédio em que funcionou a tradicional Churrascaria Chopin, no parque de exposições, devendo ser reformado para receber o acervo.
''A grande importância da criação de um museu da Sociedade Rural do Paraná é o reflexo que terá na sociedade, como valorização da cidadania, deixando para a cidade uma história de homens determinados, enfim, o quanto lutaram para fazer a terra produzir'', comenta Elenice Dequech, que coordena o grupo de voluntários na organização do acervo e do museu.
Sob a orientação da museóloga Maria Cristina Bruno, doutora pela Universidade de São Paulo (USP), uma equipe de profissionais, como Amauri Ramos da Silva, técnico em museologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), trabalha para organizar perto de 16 mil fotos, entre outros objetos, que compõem o acervo. A ex-diretora do Museu Histórico Padre Carlos Weiss, Conceição Geraldo, também é uma das colaboradoras do projeto.
''Quase 70% do material documental estão catalogados e registrados. Teremos um museu que contribuirá para a formação cívica e intelectual. Hoje, o patrimônio da história de Londrina está sendo depreciado. Quando vejo uma cidade com dois museus e uma praça tombada entre eles, lamento a situação em que estão. Somente para citar, o Museu Histórico Padre Carlos Weiss tinha três salas de exposição. Hoje, apenas uma está aberta à visitação'', afirma Elenice.
Fundada em 1946, a SRP participou de vários momentos importantes da história paranaense, como a criação do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), a pavimentação da Rodovia Mello Peixoto (BR-369) e a campanha de erradicação da esquistossomose na região. Elenice lembra a importância de homens, como Celso Garcia, que introduziu, no Brasil, o gado zebu, o que contribuiu para a melhoria genética no país.
O novo museu terá cinco salas de visitação. A primeira contará a trajetória da SRP. A modernidade e os avanços tecnológicos terão um espaço especial. Elenice acrescenta que uma sala virtual será reservado para os ex-presidentes. Uma quarta sala homenageará os plantéis paranaenses. O quinto espaço será dedicado às festas promovidas pelos ruralistas e shows históricos como o do Rei Roberto Carlos.
A organizadora conta que os depoimentos colhidos dos ex-presidentes são ricos em detalhes, sendo que alguns têm mais de 30 laudas. ''É uma história bonita e de luta, que não podemos esquecer'', avalia Elenice.

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