O jornalista Luiz Ernesto Kawall e o administrador Jorge Caleiro Filho curtem um hobby inusitado para muitos: eles colecionam vozes de gente famosa. Dedicam-se com tanto empenho a essa missão que acabaram fundando o Museu da Voz, em São Paulo. Lá, pode-se ouvir, entre outras raridades, as vozes do ex-presidente Getúlio Vargas, do ditador Hitler, do músico Villa-Lobos, dos poetas Carlos Drummond de Andrade e Pablo Neruda. Também está registrada a voz da atriz Marlene Dietrich, cantando ‘‘Luar do Sertão’’.
Caleiro tem um acervo de mais de duas mil vozes, colecionadas desde 1960, quando começou a gravar programas de rádio e televisão. Kawall coleciona discos há muito mais tempo. Boa parte de sua coleção é formada por obras raríssimas, adquiridas junto aos sebos. Aos sábados, eles ocupam uma barraca na feira de antiguidades e artesanato na praça Benedito Calixto, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Levam um walkman e quem visita a feira pode ouvir a voz que quiser, de graça.
Uma das mais procuradas é a da narração do milésimo gol de Pelé. Também há muita procura pelas vozes de Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes. Entre as raridade está o discurso feito pelo então ministro Oswaldo Aranha, na época da Segunda Guerra, no governo Getúlio Vargas, justificando a entrada do Brasil no conflito.
(C.C.)

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