Museu expõe peças recolhidas por Lina Bo Bardi
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segunda-feira, 05 de março de 2001
Fabio Cypriano Agência Folha 
A italiana radicada no Brasil, Lina Bo Bardi (1914-1992) foi uma das intelectuais que mais lutou pelo fim da polarização entre arte popular e erudita. Exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo reúne as obras do acervo de Lina, que serviram como bandeira para a defesa de suas idéias. Cerca de 200 peças, entre quadros, tapeçarias e cerâmicas, recolhidas especialmente no Nordeste do país, estão expostas em O Design no Impasse.
Essas peças já circularam bastante. Em 59, elas formaram o módulo Exposição Bahia na 5ª Bienal de São Paulo. Depois, algumas fizeram parte da exposição Civilização do Nordeste, que abriu o Museu de Arte Moderna, em 63, no Solar do Unhão, em Salvador, restaurado por Lina.
A estação seguinte da mostra seria a Galeria de Arte Moderna, em Roma, em 64, mas foi proibida pela Embaixada do Brasil que a julgou subversiva. Já em 69, Lina expôs as peças no Masp, museu que projetou, na histórica mostra A Mão do Povo Brasileiro. Hoje, essas peças fazem parte do acervo do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi e, em 97, foram vistas em Milão, Roma e Cidade do México.
Apesar de italiana, originária de outra cultura, Lina é uma das pessoas que mais defendiam a cultura nacional, diz Emanoel Araujo, diretor da Pinacoteca e também curador da mostra.
A arquiteta acreditava que o Brasil era dos poucos países, ao lado de Japão e Finlândia, a montar um parque industrial a partir da cultura local, conta o arquiteto Marcelo Ferraz, também curador da mostra e ex-assistente de Lina.
A arquiteta chegou a criar um livro para defender suas idéias, mas achava que elas não encontrariam respaldo no país e desistiu do projeto. Apenas após a sua morte, o instituto publicou o livro, com o mesmo nome da mostra em cartaz e à venda na Pinacoteca.
A entrada para ver as obras de Lina Bo Bardi custa R$ 5, exceto às quinta-feiras, em que o acesso é gratuito. A Pinacoteca do Estado fica na praça da Luz, 2, região central de São Paulo. A exposição fica em cartaz até 22 de abril, de terça a domingo, das 10 às 18 horas.


