Depois de 3 anos e 11 meses de reforma, o Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss reabre hoje suas portas para o público. A reforma foi realizada seguindo os passos do ‘‘Projeto Memória Viva de Revitalização do Museu’’, elaborado pela Sociedade Amigos do Museu, Universidade Estadual de Londrina, Prefeitura e Colégio Maxi, e os recursos utilizados, que somam ao final R$ 750 mil, foram conseguidos junto ao Ministério da Cultura, Governo do Estado e Lei Municipal de Incentivo à Cultura, além de empresas como a Ypiranga Tintas, Sercomtel Telecomunicações e Tecnogran do Brasil. O trabalho contou também com a colaboração de uma tropa de choque de mais de 700 voluntários.
Embora o Museu volte a funcionar sem um calendário elaborado para o ano que vem, para a diretora da instituição, Conceição Duarte Geraldo, o importante é que, além das reformas ‘‘visíveis’’ para o público, o Museu Histórico agora está equipado e aparelhado como se deve. ‘‘Toda a iluminação, tanto o projeto quanto os materiais utilizados, são próprias para um museu, já que emitem pouco calor, por exemplo. Outro ponto importante são os novos arquivos, que são inclusive protegidos contra o fogo’’, comemora.
Fundado em 1970 com o nome de Museu Geográfico e Histórico do Norte do Paraná, o Museu Histórico de Londrina nasceu nos porões do Colégio Hugo Simas, onde também funcionava a Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Londrina, local onde surgiu a idéia de criação do Museu.
O prédio onde hoje funciona, a antiga estação ferroviária de Londrina, possui 2.670 metros quadrados de área construída cravados em um terreno de 11.300 metros quadrados, bem no coração da cidade. Foi construído em 1950 e é uma cópia da estação de Londres. Sobreviveu para contar um pouco a história da cidade - ao contrário de outros pontos como a Prefeitura e a antiga Catedral, que já não existem mais - e foi doado à Universidade Estadual de Londrina em 87.
No acervo de mais de 200 mil documentos, há raridades como as primeiras fotos tiradas pelo chefe da primeira caravana da Companhia de Terras Norte do Paraná, George Craig Smith, ou peças com as do primeiro consultório odontológico da cidade - um material tão assustador que impossível não pensar: corajosos estes pioneiros. A impressão fica mais acentuada na Galeria História, espaço revitalizado que abriga uma mostra permanente com objetos, fotos, relógios, móveis, peças e até parte de uma casa construída com troncos de palmito.
‘‘Estamos radiantes com a reabertura do Museu’’, conta Comceição. ‘‘Tudo isto não seria possível sem mecanismos como as leis de incentivo à cultura, já que tivemos projetos aprovados pelo Ministério Público, Governo Estadual e Prefeitura Municipal, além de empresas que ficaram colaboraram com a nossa causa, mas o que mais nos sensibilizou foi a boa vontade da população. Muitas pessoas, principalmente as famílias dos pioneiros, atenderam ao nosso chamado, prova de que o Museu é muito querido por todos os londrinenses’’.
A reforma ainda proporcionou a criação da Sala dos Pioneiros e a Sala da Imagem e do Som - Eugênio Brugim (que abriga mais de 70 mil fotos da cidade e sua gente em diferentes épocas), da Biblioteca José Garcia Molina e até mesmo de uma cafeteria, mas, o mais importante para Conceição, foi a possibilidade de organizar todo o acervo. ‘‘Antes, devido aos problemas de espaço e falta de equipamento adequado, era muito difícil catalogar tudo como manda o figurino. Agora, tudo está em seu devido lugar e, o que é melhor, nós sabemos onde está. Com os novos equipamentos podemos retardar a ação do tempo e conservar melhor nossos documentos. Conseguimos também equipar o Museu com aparelhos de som e vídeo, escanners de alta resolução e já estamos microfilmando mais de oito mil documentos da Sala de Documentação e Catalogação, para facilitar as pesquisas de nossos visitantes’’, comemora a diretora.
Outra atração da reabertura do Museu é a mostra temporária que acontece no local onde era o auditório. A exposição ‘‘Um outro Olhar’’, que prossegue até julnho de 2001, traz uma seleção com peças do acervo do museu e que sofreram uma releitura através da ótica de arquitetos, decoradores e designers. A mostra é realizada pelo pessoal do Núcleo de Arquitetura e Decoração de Londrina e tem curadoria de Alexandre Moreira.

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