Depois de passar alguns dias rasgada, a bandeira de Curitiba, colocada em frente ao Museu Paranaense, é substituída. O descaso já havia causado protestos
O empresário José Álvaro Carneiro, da Liga Ambiental, doou na terça-feira uma bandeira de Curitiba ao Museu Paranaense. A intenção era de que esta substituisse outra que estava rasgada. Chegou tarde. A troca havia ocorrido um dia antes, e não foi ele o único a observar o rasgo no tecido que simboliza a cidade. Uma senhora, no alto de seus 80 anos, também estivera reclamando.
De acordo com o diretor do MP, Jayme Antonio Cardoso, ‘‘dispúnhamos de uma bandeira de Curitiba que era muito maior do que as do Paraná e do Brasil. A Secretaria da Cultura conseguiu uma do mesmo tamanho, e então pudemos fazer a substituição das três’’.
O gesto de Carneiro obviamente foi uma atitude política, mas ele negou que isso servisse como crítica. Preferiu dizer que era uma ‘‘constatação’’ de que o museu está numa condição ‘‘incondizente com a riqueza do Estado e com a atenção que a cultura, a história e o passado merecem’’.
‘‘Resolvi tomar a atitude de trazer uma bandeira, até para meus fantasmas não virem a me amolar, porque tenho muitos fantasmas familiares aqui dentro’’, brincou. Entre os antepassados cujos retratos estão ali, consta o do avô Davi Carneiro – pai do historiador –, falecido nos anos 20.
Segundo José Álvaro o descaso com a memória é um problema imutável que vem através dos tempos. ‘‘Esta é uma situação muito antiga. Se os fantasmas começarem a pegar no pé dos governantes, acho que todos, sem exceção, vão passar apertado’’. A doação ao museu não teve um sentido irônico, mas de ‘‘apelo para que a cultura, a história de nosso Estado recebam a atenção que precisam ter’’.
O empresário afirmou que teria ‘‘vergonha de mostrar para essa criançada que vêem aqui a bandeira rasgada, prédio mal cuidado, lugares com cheiro de mijo, cortinas sujas, puídas. A nossa tradição tem que dar um passo à frente, cuidar melhor disso. Fazer um esforço para melhorar. Isto está vergonhoso há décadas, outras pessoas que estiveram aqui antes tiveram que botar a mão no bolso para comprar material e poder manter isso aberto’’.
Disse mais: que gostaria ‘‘de chamar a atenção da Secretaria da Cultura e do governo do Estado, para a situação do imóvel e, através dele, o pouco caso que está sendo dado à cultura e à história do Paranᒒ. Portanto, o caso da bandeira é apenas uma ilustração: ‘‘Não é uma bandeira rasgada, é um museu, é a memória que merece atenção porque através disso é que a gente consegue costurar o conhecimento que vem sendo transmitido aos meninos que vêm aqui’’.

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