Museu de Arte de Londrina amplia atuações educativas
Atualmente com duas exposições, espaço se abre também para visitas mediadas, oficinas, cursos e outras atividades de arte-educação
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Atualmente com duas exposições, espaço se abre também para visitas mediadas, oficinas, cursos e outras atividades de arte-educação

O Museu de Arte de Londrina foi reinaugurado no dia 1º de abril com as exposições “Cidade Londrina” e "A Riqueza de um patrimônio em movimento: Por dentro da vida e da coleção Vladimir Kozák”, organizada pelo Museu Paranaense (MUPA). Desde então, o público pode prestigiar o espaço e ver de perto obras de artistas como Agenor Evangelista, Bira Senatore, Carmem Flora, Dolores Branco, Fernanda Magalhães, Fernando Bastos, Jefferson Cesar, Letícia Marquez e Yoshiya Nakagawara - mais a coleção de Vladimir Kozák.
O espaço permaneceu fechado por cerca de sete anos para revitalização. Projetado pelos arquitetos Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, o prédio — tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2021 — passou por intervenções que receberam R$ 2,1 milhões de investimentos, com o objetivo de preservar suas características originais. Independentemente da exposição, a visita vale pela estrutura arquitetônica.
Com a reabertura, o museu também amplia sua atuação educativa. O Museu Educativo passa a funcionar dentro do próprio espaço, com uma programação contínua que inclui visitas mediadas, oficinas, cursos, contação de histórias e atividades de arte-educação.
Instalada no piso principal, “Cidade Londrina” celebra os 33 anos do museu e segue em cartaz. Inicialmente programada até 3 de junho, a mostra será prorrogada. "Cidade Londrina" é uma referência ao trabalho de Fernando Bastos e reúne obras do acervo formadas entre 1993 e 1998. Ao todo o acerco possui 672 obras de arte e, de acordo com a gestora cultural do Museu, Maria Luisa Fontenelle, em relação à rotatividade do acerco, há um planejamento para ampliar a utilização do espaço cultural.

"Mais para frente, teremos o lançamento de dois editais, sendo um edital para a seleção de propostas, de atividades formativas, cursos, oficinas, workshops e palestras para serem realizadas na sala de cursos existente no museu para que as pessoas e os coletivos, possam apresentar suas propostas. O outro edital é de propostas de exposição."
Ambos os editais, segundo Fontenelle serão avaliados e selecionados pela comissão curatorial do museu, é composta por representantes das diretorias. "Eu represento a diretoria de ação cultural, diretoria de patrimônio da secretaria e há representantes do Museu do Café, Sesc Cadeião Cultural, Museu Histórico de Londrina e da Divisão de Artes Plásticas UEL, além de um artista convidado pelo secretário, que é o Agenor Evangelista", informou.
MUSEU SATÉLITE
Já no piso superior está “A Riqueza de um patrimônio em movimento: Por dentro da vida e da coleção Vladimir Kozák”, organizada pelo Museu Paranaense (MUPA). A mostra apresenta ao público a trajetória de Vladimir Kozák, nascido em 1897 na antiga Tchecoslováquia e falecido em 1979, cuja obra possui forte conexão com a história do Norte do Paraná.

Cineasta, fotógrafo e etnógrafo, Kozák desenvolveu pesquisas independentes no Brasil ao longo de décadas, com registros que atravessam diferentes territórios, incluindo regiões que hoje compõem Londrina. Seus trabalhos documentaram povos indígenas como os Kaingang e, especialmente, os Xetá, grupo que habitava áreas do Norte do estado e teve sua população drasticamente reduzida com o avanço da colonização ao longo do século XX.
Entre as décadas de 1930 e 1960, Kozák produziu filmes, fotografias e anotações que hoje são considerados algumas das principais fontes sobre o modo de vida, os rituais e o cotidiano desses povos. No caso dos Xetá, seu acervo é uma das bases documentais mais importantes existentes, contribuindo para a preservação da memória indígena e para a compreensão da formação social e cultural da região de Londrina.
Kozák reuniu um material de grande relevância para áreas como a antropologia e a história. Atualmente, seu legado segue sendo fundamental para pesquisadores, instituições e para o público em geral, ao possibilitar reflexões sobre os impactos da ocupação territorial no Paraná.
A exposição também marca a implantação do MUPA Londrina, primeiro museu satélite do Estado. Instalado no piso superior do Museu de Arte, o espaço integra uma política de descentralização cultural promovida pela Secretaria de Estado da Cultura, que prevê a criação de unidades em diferentes regiões do Paraná.
Considerado o terceiro museu público mais antigo do Brasil, o Museu Paranaense (MUPA) passa a ter presença permanente no interior, ampliando o acesso da população aos acervos estaduais. A proposta dos museus-satélites é justamente permitir a circulação de coleções, narrativas e experiências museológicas para além da capital, fortalecendo o papel dos territórios como produtores de cultura.

SERVIÇO
Museu de Arte de Londrina
Onde: Rua Sergipe, 640 Centro
Funcionamento: terça a sexta-feira, das 11 às 17 horas. Quando o comércio abre, no primeiro e segundo sábado do mês, sempre após o quinto dia útil, das 9 às 13 horas.
Entrada gratuita
Mais informações: (43) 3337-6238


Walkiria Vieira
Repórter de Cultura, Educação e temas sociais.


