Museu da Casa Brasileira abre espaço para o design alemão
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quarta-feira, 12 de maio de 1999
Por Maria Hirszman 
São Paulo, 13 (AE) - A exposição "Simplicidade Consciente", que apresenta um panorama da evolução do design contemporâneo alemão dos últimos 15 anos, procura combater a idéia de que predomina entre os alemães um crescente interesse pela sofisticação tecnológica. Se há um elo entre as cerca de cem peças trazidas ao País com o apoio do Instituto Goethe, que podem ser vistas a partir de amanhã (14) no Museu da Casa Brasileira, é a simplicidade. "Há diferentes maneiras de ser simples", explica o designer e curador da mostra, Volker Albus.
"Às vezes uma peça pode ser muito fácil de construir, mas você tem de ter a idéia antes; outras vezes o objeto facilita a vida do usuário, mas é dificílimo de construir", conclui, mostrando dois destaques da exposição para amparar sua argumentação. O primeiro é uma mesa de centro aparentemente comum com tampo de vidro. Mas seus pés são três picaretas apoiadas umas às outras, formando um belo jogo construtivo e garantindo equilíbrio e estranhamento ao mesmo tempo.
Já a mesa Tábula Rasa se situa no oposto. Foi extremamente difícil realizar essa complexa engenhoca, que permite encolher completamente ou esticar até 5 metros de comprimento uma mesa com bancos dos dois lados. As dificuldades são tantas que até hoje só foram produzidas 20 dessas peças. Surpreender o espectador é uma característica comum às peças selecionadas por Albus e seus colegas Markus Bach e Monika Wall - a quem pediu ajuda para concretizar sua antiga idéia de mostrar no exterior o que é feito nos ateliês dos designers alemães. São Paulo é a primeira parada da mostra, que em seguida deverá ir para Santiago, no Chile. Infelizmente, a etapa carioca da turnê foi cancelada.
Segundo ele, isso não é intencional e pode ser atribuído ao fato de os criadores não desenvolveram essas peças para a indústria, mas para si, pelo prazer de descobrir uma forma que concilie beleza e funcionalidade. Raras são as peças expostas que não se apoiam nessa idéia. Bom exemplo é o elegante porta-revistas que, posto de lado, vira uma prática escada de biblioteca. Esse objeto, aliás, parece ser um dos preferidos dos designers alemães, assim com os franceses têm certo fetiche pelas poltronas, brinca Albus.


