São Paulo, 26 (AE) - O MAC nasceu oficialmente em 1963, quando Ciccillo Matarazzo decide transferir para o recém-criado museu da Universidade de São Paulo a coleção que vinha sendo reunida desde 1948 no Museu de Arte Moderna (MAM). Parte dessas obras havia sido comprada pelo empresário e sua mulher, Yolanda Penteado, e outras foram sendo incorporadas ao conjunto graças ao sistema de prêmio-aquisição das Bienais.
Entre os tesouros que recebeu nessa transferência estão "Figuras", de Pablo Picasso, "Auto-Retrato", de Modigliani, ou "O Grande Móbile Branco", de Alexander Calder. No entanto, apesar de ter nascido com uma coleção capaz de ofuscar a grande maioria dos museus latino-americanos, o MAC continua sem ter uma sede a sua altura. Ele ocupa uma área de mais de 6 mil metros quadrados no Pavilhão da Bienal (sua sede desde o nascimento), mas as relações de vizinhança nunca foram das melhores.
Hoje, o museu não pode usar o local porque o telhado do prédio foi danificado por chuva de pedras no ano passado e deve ser reformado. A direção da Bienal também decidiu reformar o espaço museológico do terceiro andar, atrapalhando os planos do MAC de utilizar a área para suas mostras.
O museu também ocupa dois prédios na USP, mas que não são adequados a suas necessidades. Até porque a cidade universitária não é exatamente um endereço atrativo. Além de ficar distante dos pontos culturais da cidade, o câmpus é fechado aos fins de semana, poupando o museu do filé mignon das visitas. No entanto, ser um museu universitário também tem vantagens. Apesar de não receber nenhuma verba de representação, ele mantém uma importante equipe de pesquisa e consegue obter verbas entre organismos públicos, como o financiamento de R$ 3 milhões que acaba de receber da Fapesp para realizar obras de infra-estrutura.
O grande problema é saber onde aplicar o dinheiro. "Todo museu precisa ter uma bela sede, um prédio que lhe dê uma personalidade, uma cara", diz o diretor José Teixeira Coelho. Uma solução que poderia ser definitiva para o MAC seria o Pavilhão Manoel da Nóbrega. Mas o nobre espaço do Ibirapuera está sendo disputado a unhas e dentes por várias instituições e a Secretaria de Estado da Cultura pretende transformá-lo num museu da criança, projeto excessivamente custoso e pouco adequado ao local. (M.H.)

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